Torcida do Flamengo protesta contra proibição das bets no Maracanã

Em um cenário marcado por tensões políticas e esportivas, a torcida do Flamengo protagonizou uma manifestação contundente durante o clássico contra o Fluminense, realizado neste domingo (11.out.2026). O protesto, ocorrido no setor norte do Maracanã, no Rio de Janeiro, teve como alvo direto a recente política do governo federal em relação ao mercado de apostas esportivas no país.
A mobilização ocorreu momentos antes do início da partida, válida pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro. Ao entrarem em campo, os torcedores estenderam uma faixa que criticava abertamente a atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, classificando a proibição das bets como um “gol contra” para o futebol nacional.
Impactos da medida provisória no setor de apostas
A insatisfação dos torcedores reflete um descontentamento mais amplo com a Medida Provisória 1.394 de 2026, assinada pelo Executivo em 25 de setembro. O texto legal estabeleceu a proibição total da exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa em território brasileiro, gerando um efeito cascata em todo o ecossistema esportivo que dependia desses investimentos.
Além da faixa principal, o ambiente no estádio também foi marcado por outras pautas. Uma segunda mensagem, que permaneceu exposta durante todo o confronto, aproveitou o contexto para criticar a escala de trabalho 6 X 1, utilizando o tema como mote para provocações esportivas ao rival Vasco da Gama.
Posicionamento dos clubes e articulação jurídica
A mobilização não se restringiu apenas às arquibancadas. Tanto Flamengo quanto Fluminense utilizaram o gramado como plataforma de protesto, com jogadores entrando em campo vestindo camisas estampadas com a frase “Proibir não é proteger”. A ação substituiu o espaço anteriormente ocupado pelas marcas das casas de apostas, que eram patrocinadoras dos clubes.
Juridicamente, a ofensiva dos times é intensa. O Flamengo obteve autorização do ministro Luiz Fux para atuar como amicus curiae nas ações que tramitam no Supremo Tribunal Federal sobre o tema. O Fluminense, acompanhado por outros 15 clubes brasileiros, também ingressou com pedidos formais na Corte para apresentar argumentos contrários à medida, buscando reverter o impacto financeiro da proibição no futebol profissional.
Fonte: poder360.com.br