POLÍCIA

Risco Brasil atinge 112 pontos e registra menor patamar no terceiro mandato de Lula

O indicador de risco país do Brasil, mensurado pelo Credit Default Swap (CDS) de 5 anos, recuou para 112 pontos-base na última cotação registrada neste sábado (19.set.2026). O resultado representa o menor nível do índice desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2023, sinalizando uma mudança na percepção do mercado financeiro internacional sobre a dívida soberana brasileira.

Dinâmica do mercado e percepção de risco

O CDS funciona como um termômetro da confiança dos investidores, refletindo o custo anual para proteger uma exposição à dívida do país, equivalente a cerca de 1,12% do valor protegido. A trajetória de queda é evidente ao comparar com os 126 pontos-base registrados há um ano, ou mesmo com os 115 pontos observados em 10 de setembro de 2026. Embora o patamar atual seja o mais baixo da gestão atual, ele ainda se mantém acima da mínima histórica de 93 pontos, alcançada em fevereiro de 2020, durante a administração de Jair Bolsonaro.

Impactos da política monetária e da Selic

A recente redução da taxa Selic, que passou de 14% para 13,75% ao ano por decisão do Copom em 16 de setembro de 2026, desempenha um papel central na economia. Este foi o quinto corte consecutivo em um ciclo iniciado em março de 2026. A decisão foi fundamentada na desaceleração da inflação, com o IPCA registrando deflação de 0,32% em agosto, e na retração de 0,2% do IBC-Br em julho. Apesar da flexibilização monetária, o Brasil sustenta o maior juro real do mundo, fator que influencia diretamente a atratividade dos ativos nacionais frente ao cenário global.

Equilíbrio fiscal e despesas públicas

O governo federal anunciou um reajuste de 15,04% nos benefícios do Bolsa Família, elevando o piso mensal para R$ 691. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o impacto orçamentário será de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027. A gestão alega que a medida é sustentável e utiliza como fonte de compensação a redução das despesas previdenciárias após a zeragem da fila do INSS. O detalhamento completo desses números será apresentado no relatório bimestral de receitas e despesas em 24 de setembro de 2026.

Contexto internacional e juros globais

O ambiente externo impõe novos desafios, com o Fed elevando os juros norte-americanos para a faixa de 3,75% a 4% ao ano e o BCE seguindo uma trajetória de alta similar. Essa convergência entre a redução da Selic e o aumento das taxas no exterior estreita o diferencial de juros, o que pode impactar a entrada de capital estrangeiro. A Instituição Fiscal Independente (IFI) reforçou, em seu relatório recente, que o prêmio de risco em títulos de longo prazo permanece sob monitoramento constante, diferenciando-se da métrica do CDS ao analisar o custo adicional exigido para manter dívida pública de longo prazo.

Fonte: poder360.com.br

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