Lula reafirma soberania brasileira na ONU e cobra reforma na governança global

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou a tribuna da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (22.set.2026) para reafirmar a autonomia da política externa brasileira. Em um discurso contundente, o mandatário declarou que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”, sinalizando uma postura de independência frente às grandes potências globais, especialmente em relação aos Estados Unidos.
A fala de Lula ocorreu em um contexto de tensões geopolíticas acentuadas. Ao abordar a América Latina e o Caribe, o presidente destacou que, embora a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo seja um fato incontornável, o país rejeita o que classificou como “tentações hegemônicas”. O governo brasileiro defende uma agenda de desenvolvimento regional pautada pela integração, independentemente de divergências ideológicas entre os vizinhos.
Críticas à atuação da ONU e ao cenário global
Lula não poupou críticas à própria estrutura das Nações Unidas, classificando o momento atual como o mais crítico desde sua primeira participação no evento, em 2003. O presidente expressou “indignação” com a incapacidade da organização em cumprir sua missão central de evitar conflitos armados, afirmando que a credibilidade do órgão atingiu seu nível mais baixo.
O chefe do Executivo brasileiro também direcionou críticas severas ao Conselho de Segurança da ONU, exigindo maior responsabilidade e urgência na atuação dos países-membros. Sobre os conflitos em curso, Lula reforçou que a guerra representa a “falência total da política”. Ao mencionar a crise no Oriente Médio, o presidente condenou a atuação de Israel na Faixa de Gaza, classificando-a como “genocídio”, ao mesmo tempo em que reconheceu o sofrimento de civis israelenses frente aos atos terroristas do Hamas.
Defesa da democracia e soberania regional
O discurso também abordou a fragilidade democrática na América Latina. Lula criticou a divisão do mundo em zonas de influência e denunciou a ingerência externa em processos eleitorais de nações soberanas. Em relação à Venezuela, o presidente defendeu que o povo venezuelano deve ser o único responsável por definir o seu próprio destino.
Sobre a Nicarágua, o tom foi de reprovação ao cerceamento da oposição política. O presidente brasileiro argumentou que o país não encontrará soluções para seus problemas internos ao impedir a participação de adversários nas eleições. Além disso, Lula classificou as investidas neocoloniais por recursos estratégicos como “gestos anacrônicos”, citando como exemplos a situação do Haiti e o embargo econômico imposto a Cuba.
Combate ao crime organizado e segurança de fronteiras
Na parte final de sua intervenção, o presidente focou na segurança pública e no enfrentamento ao crime organizado transnacional. Lula afirmou que o Brasil não pretende “terceirizar” a proteção de suas fronteiras e rejeitou a presença de forças militares estrangeiras, como porta-aviões, em águas brasileiras.
A estratégia apresentada pelo governo brasileiro foca na cooperação internacional para desmantelar fluxos financeiros e de armamentos. Lula mencionou que uma proposta específica para combater a lavagem de dinheiro por criminosos brasileiros no exterior foi entregue diretamente ao presidente dos Estados Unidos. Como parte desse esforço, o governo destacou a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, sediado em Manaus (AM), que integra autoridades de segurança dos nove países amazônicos. Para mais informações sobre o cenário diplomático, consulte o portal oficial da ONU.
Fonte: poder360.com.br