Psicóloga defende contratação de direita em vídeo e nega discriminação
A repercussão pós-eleitoral gerou debates intensos sobre os limites entre crenças políticas e o ambiente corporativo. Nesse contexto, a psicóloga e empresária Mara Suassuna tornou-se o centro das discussões após publicar uma gravação na qual relata ter recebido demandas de empresários para selecionar exclusivamente colaboradores que não fossem petistas.
A profissional gerou forte polêmica ao oferecer serviços voltados especificamente para a contratação de profissionais identificados com a direita política. Contudo, em momento posterior, a instituição comandada por ela emitiu uma nota oficial argumentando que a escolha de funcionários se baseia em princípios organizacionais e não em perseguição ideológica.
Repercussão da gravação e os pedidos de empresários
Logo após o término do segundo turno das eleições presidenciais, a empresária utilizou as redes sociais para expressar seu descontentamento com o pleito. No mesmo registro audiovisual, ela afirmou que diversos clientes entraram em contato solicitando a exclusão de apoiadores do Partido dos Trabalhadores nos novos processos seletivos.
Diante das solicitações recebidas, a especialista colocou sua estrutura de recrutamento à disposição do empresariado interessado. A declaração rapidamente circulou nas plataformas digitais, atraindo críticas severas de internautas e especialistas que apontam possíveis desvios éticos em seleções guiadas por convicções partidárias.
A defesa conceitual baseada em valores humanos
Para fundamentar sua posição inicial e a nota divulgada posteriormente, a psicóloga recorreu à Teoria dos Valores Humanos Básicos, criada pelo estudioso Shalom H. Schwartz. Segundo essa vertente teórica, as escolhas e o comportamento humano são orientados por convicções fundamentais compartilhadas nas relações sociais.
A profissional argumentou que a busca por compatibilidade no ambiente de trabalho envolve honestidade, ética e respeito mútuo. Para ela, a priorização de determinados perfis decorre da necessidade de alinhar os colaboradores aos objetivos institucionais, distanciando-se de uma simples disputa político-partidária.
Esclarecimento oficial e a negação de discriminação
Em nota oficial intitulada “Valores ou perseguição ideológica?”, a empresária buscou amenizar a polêmica gerada pelas declarações em vídeo. O texto enfatiza que o alinhamento de valores dentro das organizações difere completamente de qualquer forma de discriminação partidária ou exclusão ideológica.
A instituição destacou ainda que a diversidade de pensamento permanece como um pilar essencial para o fortalecimento das empresas. Conforme o comunicado oficial, o verdadeiro risco para o sucesso corporativo não reside na diferença de opiniões, mas sim no descumprimento dos princípios éticos que sustentam a cultura interna.
Posicionamento institucional e desdobramentos éticos
Enquanto o debate ganha força na internet, órgãos reguladores e veículos de comunicação acompanham de perto os desdobramentos do caso. O Jornal Opção buscou contato com o Conselho Regional de Psicologia para apurar eventuais implicações éticas decorrentes da utilização de critérios políticos em seleções profissionais.
A controvérsia evidencia o clima de polarização que continua a influenciar as relações comerciais e sociais no país. Especialistas em recursos humanos pontuam que a linha entre cultura organizacional e viés ideológico exige cautela extrema para evitar infrações legais e violações aos direitos trabalhistas.
Fonte: jornalopcao.com.br