PL deve liberar bancada no Senado para votação sobre o fim da escala 6×1
O Partido Liberal (PL) caminha para adotar uma postura de liberação de voto aos seus parlamentares durante a análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221 de 2019, que propõe o fim da escala de trabalho 6×1. A informação foi confirmada pelo senador Wellington Fagundes (PL-MT) na segunda-feira (12.out.2026), sinalizando um movimento de flexibilidade diante da pressão política que cerca o tema.
Embora a coordenação da campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, liderada por Rogério Marinho, tenha manifestado preferência pela abstenção, a bancada do partido no Senado demonstra resistência a essa orientação. Segundo Fagundes, a maioria dos senadores da legenda avalia que é necessário um posicionamento claro diante da opinião pública, em vez de se omitir sobre uma pauta de alto impacto social.
Divergências estratégicas e o posicionamento de Flávio Bolsonaro
O cenário interno do PL reflete o dilema entre a convicção econômica e a necessidade de sobrevivência eleitoral. O senador Flávio Bolsonaro, embora considere a proposta tecnicamente mal formulada e potencialmente prejudicial à economia, deve votar a favor da medida. A avaliação estratégica da campanha é que uma posição contrária à redução da jornada de trabalho seria politicamente insustentável no atual momento da disputa presidencial.
A expectativa é que Flávio Bolsonaro utilize o discurso de defesa de melhores condições laborais para os brasileiros. Contudo, o parlamentar deve ressalvar que a medida integra um conjunto de ações que ele classifica como eleitoreiras por parte do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), argumentando que ajustes seriam necessários caso ocorra uma alternância de poder no país.
Tramitação da PEC e o impacto no calendário eleitoral
O Senado retoma nesta terça-feira (13.out.2026), às 14h, as discussões sobre a proposta que visa reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, garantindo dois dias de descanso sem redução salarial. A primeira votação está prevista para quarta-feira (14.out.2026), sendo necessário o apoio de pelo menos 49 senadores para que o texto avance.
O governo Lula busca mobilizar apoio para acelerar o rito de tramitação. A estratégia governista envolve a coleta de 54 assinaturas para um requerimento de calendário especial, o que permitiria a votação em dois turnos já na quarta-feira. Sem essa manobra, o rito regimental exigiria um intervalo de cinco dias úteis e três sessões adicionais de discussão, o que empurraria a decisão final para após o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
A aprovação célere da PEC é vista como uma vitória política estratégica para o petista, que transformou a pauta em um dos pilares de sua campanha pela reeleição. A oposição, por outro lado, tenta conter o avanço da matéria para evitar que o tema seja capitalizado pelo governo como uma conquista direta antes do pleito.
Fonte: poder360.com.br