Operação Fake Card investiga fraude milionária em contratos de vale-alimentação
A Polícia Civil de Goiás deflagrou, nesta quarta-feira, 23, a Operação Fake Card, uma ofensiva contra um esquema de desvio de recursos públicos que operava por meio de uma empresa de gestão de benefícios. A organização é suspeita de lesar cofres municipais e estabelecimentos comerciais em diversos estados brasileiros, utilizando uma estrutura complexa de contratos de vale-alimentação e vale-refeição.
As investigações revelaram que a empresa mantinha vínculos contratuais com mais de 220 prefeituras, abrangendo nove estados e gerenciando um volume superior a 60 mil cartões ativos. O modus operandi envolvia a obtenção de licitações públicas para, posteriormente, reter parte dos valores que deveriam ser repassados aos estabelecimentos credenciados pela rede.
Mecanismo de fraude e colapso financeiro
O esquema funcionava através de uma lógica de endividamento sucessivo. Segundo a Polícia Civil, os recursos obtidos por meio de novos contratos públicos eram utilizados para quitar débitos de contratos anteriores, configurando uma espécie de pirâmide financeira com verbas destinadas à assistência social e alimentação de servidores.
Com o esgotamento do fluxo de caixa e o colapso da estrutura, milhares de estabelecimentos comerciais ficaram sem receber os pagamentos devidos pelos serviços prestados. A interrupção dos repasses gerou prejuízos significativos em diversas regiões do país, prejudicando tanto os comerciantes quanto a administração pública local.
Lavagem de dinheiro e ocultação de bens
Além do desvio direto dos valores, a investigação aponta que os suspeitos utilizavam estratégias para ocultar o patrimônio ilícito. O dinheiro desviado era convertido em ativos de difícil rastreamento, incluindo a aquisição de imóveis de alto padrão, veículos e investimentos vultosos em construções civis.
Para tentar conter a dissipação dos recursos, a Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 1 milhão em bens e valores dos investigados. A medida visa garantir que, ao final do processo, haja patrimônio suficiente para o ressarcimento das vítimas lesadas pela fraude.
Desdobramentos e tipificação criminal
Durante a ação policial realizada nesta quarta-feira, foram cumpridos diversos mandados de prisão e de busca e apreensão. Os envolvidos no esquema responderão por uma série de crimes graves, que incluem estelionato, apropriação indébita, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
O caso segue sob apuração da Polícia Civil de Goiás, que busca identificar outros possíveis beneficiários do esquema e a extensão total do rombo financeiro causado aos cofres públicos e ao setor privado.
Fonte: jornalopcao.com.br