Lula pressiona oposição e cobra posicionamento sobre o fim da escala 6×1 no Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (6.out.2026) que existem movimentações políticas para obstruir a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a jornada de trabalho na escala 6×1. Durante transmissão realizada no quartel-general da campanha, em Brasília, o petista criticou a postura de adversários, embora não tenha citado nomes específicos ao denunciar que “eles estão tentando atrapalhar a votação” da medida.
Pressão política e o impasse no Senado
O debate sobre a redução da jornada de trabalho tornou-se um dos pilares da estratégia de campanha do PT após o primeiro turno das eleições. O senador Jaques Wagner (PT-BA) reforçou as críticas ao relatar que aliados de Flávio Bolsonaro estariam esvaziando o plenário do Senado para impedir a obtenção do quórum necessário para o início das discussões. Segundo o parlamentar, a estratégia da oposição visa inviabilizar a análise da proposta, apesar da expectativa governista de reunir os 41 congressistas necessários.
Lula aproveitou o espaço para questionar diretamente a postura do PL diante da pauta trabalhista. O presidente desafiou o partido do seu adversário a demonstrar “coragem” em votar a favor do fim da escala que exige seis dias de trabalho para um dia de descanso. “Estou confiante de que o PL vai demonstrar se tem coragem ou não de votar a favor do fim dessa escala”, declarou o petista, enfatizando que a transparência do sistema de votação no Senado permitirá que o eleitor identifique o posicionamento de cada parlamentar.
Expectativa pela votação e ritos legislativos
Apesar da resistência observada no plenário, o presidente demonstrou otimismo quanto à atuação de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Lula acredita que o presidente do Senado colocará a PEC em votação, reforçando que o processo é simples e transparente. A expectativa do governo é que o tema ganhe celeridade, especialmente após o ministro José Guimarães ter sinalizado anteriormente a intenção de concluir a votação ainda nesta semana.
O cenário legislativo, contudo, mantém cautela. Davi Alcolumbre indicou que não pretende atropelar os ritos regimentais da Casa, sinalizando que a votação deve ocorrer antes do segundo turno das eleições, previsto para 25 de outubro. A movimentação ocorre em um momento de ajuste de rota na campanha petista, que busca intensificar o discurso sobre direitos sociais para reverter o quadro eleitoral após o resultado do primeiro turno.
A transmissão contou com a presença de figuras centrais do partido, incluindo o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, o senador eleito pela Bahia, Rui Costa, e o candidato ao governo do Distrito Federal, Leandro Grass. A união de forças reflete a tentativa da coligação em pautar o debate público com temas que impactam diretamente a classe trabalhadora.