Lojistas discutem vetar contratação de nordestinos e eleitores de esquerda
Mensagens trocadas em um grupo de WhatsApp denominado Lojistas Unidos – Mega Moda revelaram um debate discriminatório entre comerciantes. O conteúdo das conversas, que circulou durante o período eleitoral, sugere a adoção de critérios ideológicos e regionais para a seleção de funcionários em estabelecimentos comerciais da região da 44, em Goiânia.
Práticas discriminatórias no mercado de trabalho
Nas capturas de tela, os participantes do grupo expressam abertamente a intenção de negar oportunidades de emprego a pessoas provenientes da região Nordeste e a indivíduos identificados com o espectro político de esquerda. As falas sugerem que a orientação política seria um fator determinante para a exclusão de candidatos em processos seletivos locais.
Um dos usuários do grupo afirma categoricamente que, ao receber candidatas do Nordeste, a orientação seria encaminhá-las para buscar emprego com o presidente Lula. A retórica de exclusão é reforçada por outros membros, que defendem a necessidade de comunicar aos candidatos que a origem regional seria um impeditivo para a contratação na região.
Impactos da intolerância nas relações laborais
O debate no grupo extrapolou o ambiente da 44, com relatos de práticas semelhantes em outros estados. Um dos participantes menciona que uma conhecida, proprietária de um restaurante no Pará, adotaria a mesma postura de não contratar pessoas com inclinações políticas de esquerda. Esse tipo de conduta levanta preocupações sobre a legalidade das práticas de recrutamento e seleção no país.
A legislação brasileira, por meio da Lei 9.029/1995, proíbe expressamente a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso à relação de trabalho ou de sua manutenção, seja por motivo de sexo, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar ou qualquer outra condição. A exposição dessas conversas coloca em xeque a ética profissional no setor varejista e reforça a necessidade de combate a preconceitos no ambiente corporativo.
Fonte: maisgoias.com.br