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Governo federal planeja realizar quatro leilões de ferrovias em 2027

O Ministério dos Transportes apresentou, nesta quinta-feira (15.out.2026), um cronograma ambicioso para o setor ferroviário brasileiro. A pasta projeta a realização de quatro leilões de concessões ferroviárias ao longo de 2027, com o objetivo de impulsionar a infraestrutura logística do país. O anúncio ocorreu durante um evento realizado na B3, a bolsa de valores de São Paulo, e inclui projetos estratégicos como o Anel Ferroviário do Sudeste, a Malha Oeste, a Ferrogrão e o Corredor Leste-Oeste.

Projeções de investimentos e cronograma de concessões

A carteira de projetos apresentada pelo governo federal estima um montante de R$ 160 bilhões em investimentos, abrangendo obras de construção, ampliação e recuperação de malhas ferroviárias. Este valor refere-se ao Capex projetado para viabilizar a modernização do setor. Ao todo, o planejamento engloba oito projetos de concessão, nove leilões de autorização e doze terminais greenfield.

O cronograma detalhado estabelece o início das licitações em abril de 2027, com o leilão do Anel Ferroviário do Sudeste. Na sequência, estão previstas as disputas para a Malha Oeste em agosto, a Ferrogrão em setembro e o Corredor Leste-Oeste em outubro. Outros quatro projetos, incluindo o Corredor Paraná-Santa Catarina e o Corredor Mercosul, possuem editais programados para dezembro do próximo ano.

Desafios estruturais e o modelo de autorizações

A retomada dos certames ferroviários enfrenta obstáculos significativos, como o alto custo de implantação e a necessidade de financiamento de longo prazo. Diferente das rodovias, que geram receita imediata via pedágios, as ferrovias dependem da consolidação da demanda de cargas. O governo busca contornar esses entraves através de um novo modelo de chamamento público, aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em agosto de 2026.

Este novo mecanismo permite que empresas interessadas realizem estudos de viabilidade por até dois anos. Caso o projeto não seja autossustentável, o governo poderá realizar aportes financeiros, sendo o vencedor da disputa aquele que solicitar o menor valor de contribuição estatal. O Corredor Minas-Rio será o primeiro a utilizar esse formato, com certame previsto para dezembro, marcando o único leilão ferroviário do atual governo até o momento.

Histórico recente e cenário de mercado

O último leilão federal de concessão ferroviária ocorreu em abril de 2021, durante a gestão de Jair Bolsonaro, quando a Bahia Mineração arrematou o trecho 1 da Ferrovia de Integração Oeste-Leste. Desde o início da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2023, o governo ainda não realizou novos certames desta natureza. A expectativa agora é que a nova modelagem jurídica e econômica consiga atrair o capital privado necessário para tirar os projetos do papel.

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