Empresária de Anápolis acusa Entrepay de calote em meio a investigações sobre o Banco Master
A empresária Tânia Borges, proprietária da Academia Sérgio Borges, localizada em Anápolis, enfrenta um impasse financeiro após a interrupção dos repasses de pagamentos realizados via maquininha de cartão. O estabelecimento, que utilizava a tecnologia da Entrepay, relata estar há seis meses sem receber os valores devidos pelas transações processadas pela empresa, que integra o conglomerado Grupo Entre.
O cenário de incerteza agravou-se com a liquidação extrajudicial da Entrepay, decretada pelo Banco Central em março de 2026. A situação da academia ganha contornos mais complexos devido às conexões apontadas por investigações entre o conglomerado, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master, levantando questionamentos sobre a gestão dos ativos da instituição de pagamento.
Origem da parceria e interrupção dos repasses
A relação comercial entre a academia e a Entrepay teve início após uma sugestão recebida no Banco de Brasília (BRB), onde a empresa mantinha sua conta principal. A promessa de taxas mais competitivas motivou a adesão ao sistema, que operou sem intercorrências por cerca de três anos. A normalidade, contudo, cessou abruptamente em março de 2026, quando os fluxos de caixa deixaram de ser creditados.
Tânia Borges optou por não divulgar o montante exato do prejuízo, mas classificou a quantia como relevante para a saúde financeira do negócio. Apesar do impacto, a empresária assegurou que o atendimento aos alunos permanece inalterado. O objetivo da denúncia é cobrar transparência sobre o paradeiro dos recursos e incentivar outros comerciantes na mesma situação a buscarem reparação.
Mecanismos de gestão e o impacto da liquidação
O advogado Samuel Santos, representante da academia, esclarece que a Entrepay atuava como uma instituição de pagamento completa, gerenciando créditos, débitos e modalidades de crédito recorrente. Esse sistema permitia o processamento de mensalidades de alunos sem comprometer o limite do cartão de crédito, sendo uma ferramenta central na operação do estabelecimento.
A liquidação extrajudicial, conduzida pelo Banco Central, interrompeu o fluxo de parcelas a vencer, deixando a academia sem acesso aos valores transacionados anteriormente. O advogado ressalta que o procedimento, embora técnico e sob sigilo, visa levantar ativos e passivos da instituição, mas a falta de repasses coloca pequenos e médios empresários em uma posição de vulnerabilidade imediata.
Investigações sobre o Grupo Entre e Banco Master
O caso da Academia Sérgio Borges insere-se em um contexto de apurações mais amplas sobre o sistema financeiro. Reportagens recentes associam a Entrepay a fundos e estruturas financeiras ligadas ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo Samuel Santos, existem indícios sob análise que conectam a Entrepay a frentes de atuação do Banco Master, embora a comprovação de irregularidades dependa exclusivamente das autoridades competentes.
A reportagem buscou posicionamento oficial junto ao Grupo Entre e ao Banco Central do Brasil, por meio de seus canais de comunicação, mas não obteve retorno até o momento. O Jornal Opção mantém o espaço aberto para que as instituições envolvidas apresentem suas versões sobre os fatos relatados e o andamento do processo de liquidação.
Fonte: jornalopcao.com.br