Mexilhão-dourado avança no Rio São Francisco e preocupa setor elétrico
O mexilhão-dourado encontrou nos rios e reservatórios brasileiros condições favoráveis para se espalhar e se fixar nas estruturas de hidrelétricas. O resultado desse avanço são colônias capazes de entupir tubulações e comprometer o funcionamento de filtros e sistemas de resfriamento. Para conter os prejuízos e manter a operação, o setor elétrico brasileiro gasta milhões anualmente com prevenção e controle.
Agora, um levantamento acadêmico revelou um alerta inédito para a bacia hidrográfica nacional. Pesquisadores identificaram exemplares da espécie invasora no Rio São Francisco, situados a centenas de quilômetros de distância dos registros anteriores na mesma região.
Descoberta científica mapeia novos pontos
Durante atividades de campo conduzidas entre julho de 2024 e abril de 2025, equipes científicas recolheram dezenas de exemplares em municípios mineiros específicos. Os dados obtidos foram divulgados em uma publicação especializada voltada à biodiversidade aquática.
As coletas abrangeram diversas estações fluviais distribuídas por trechos do rio. O molusco apareceu de forma recorrente em pontos monitorados de determinadas localidades, enquanto outros trechos fiscalizados e reservatórios específicos permaneceram livres da presença da espécie até o momento atual.
Dispersão territorial e hipóteses de transporte
Historicamente, a chegada do organismo ao território nacional ocorreu no final da década de 1990 por meio de embarcações comerciais em hidrovias. A grande distância registrada em relação aos pontos antigos de monitoramento motivou investigações sobre as causas da propagação.
Especialistas apontam que o tráfego fluvial de pequenas embarcações pode ter colaborado para o deslocamento do organismo ao longo da calha do rio. Além disso, as características biológicas da espécie, como a circulação livre de larvas e a capacidade de fixação por filamentos resistentes, facilitam a adesão em superfícies rígidas e o transporte involuntário por atividades humanas.
Impactos operacionais e ambientais
O acúmulo de organismos sobre superfícies submersas, processo conhecido tecnicamente como bioincrustação, gera desafios severos para a infraestrutura industrial e energética. Tubulações, dutos de irrigação e equipamentos de pesca sofrem obstruções recorrentes.
No ecossistema aquático, o molusco exótico compete diretamente por alimento e espaço com as populações nativas, provocando alterações expressivas nas comunidades locais. Para mais detalhes sobre o avanço de espécies exóticas, consulte o portal oficial do Ministério do Meio Ambiente.
Estratégias de contenção e monitoramento
A ausência do molusco em áreas estratégicas específicas representa uma oportunidade para intensificar as barreiras sanitárias e de fiscalização. Programas de monitoramento contínuo da qualidade da água e ações educativas direcionadas a pescadores e operadores de turismo náutico formam a base das diretrizes atuais de contenção.
Fonte: tribunadoplanalto.com.br