Polícia Federal indicia Gorete Pereira e outras 28 pessoas por esquema de fraudes no INSS
Investigação sobre desvios no INSS
A Polícia Federal concluiu o indiciamento da deputada Gorete Pereira (MDB-CE) e de outras 28 pessoas no âmbito da Operação Sem Desconto. A ação investiga um esquema de retiradas não autorizadas em benefícios previdenciários, operado por meio de associações voltadas a aposentados e pensionistas.
A parlamentar é suspeita de integrar uma organização criminosa, além de responder por estelionato previdenciário qualificado e lavagem de dinheiro. Segundo o relatório final da corporação, empresas de fachada vinculadas a familiares e prepostos da deputada teriam movimentado ao menos R$ 11 milhões oriundos da estrutura ilícita.
Articulação política e influência no órgão
O inquérito aponta que Gorete Pereira atuava como o braço político da fraude, utilizando sua influência para viabilizar e proteger Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) firmados entre o Instituto Nacional do Seguro Social e entidades suspeitas. A investigação destaca que a deputada mantinha contatos sistemáticos com servidores do órgão.
Em nota, o advogado Waldir Xavier, que representa a parlamentar, afirmou que ela ainda não foi oficialmente cientificada do indiciamento. A defesa ressaltou confiança na apuração conduzida sob supervisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e reiterou que a conduta da deputada foi pautada pela licitude.
Campanha eleitoral sob monitoramento
Mesmo sob medidas cautelares impostas pelo STF, que incluíram o uso de tornozeleira eletrônica, Gorete Pereira participou do pleito eleitoral deste ano. O ministro André Mendonça negou pedidos da defesa para a retirada do equipamento, embora tenha flexibilizado a circulação da investigada pelo estado.
Dados da Justiça Eleitoral indicam que a deputada recebeu R$ 670 mil para sua campanha, gastando quase a totalidade do montante. Com 3.615 votos, ela não obteve sucesso nas urnas e permanece na condição de suplente. O Ministério Público Federal chegou a solicitar a prisão da parlamentar, medida que foi indeferida pelo magistrado em março.
Operacionalização de propinas e envolvimento de ex-diretor
O esquema contava com a participação da advogada Cecília Rodrigues Mota, que presidiu associações investigadas. Segundo a PF, ela é suspeita de operacionalizar o pagamento de vantagens indevidas a servidores do INSS, utilizando contas de sua sociedade de advocacia para lavar os valores desviados.
Outro ponto central da investigação envolve André Paulo Félix Fidelis, ex-diretor de Benefícios do INSS. Ele foi indiciado por corrupção passiva e organização criminosa após assinar, apenas em 2024, sete acordos que resultaram em descontos de R$ 142 milhões. Seu filho, Eric Fidelis, também foi indiciado por suspeita de receber R$ 2,4 milhões através de seu escritório de advocacia. Mais informações sobre o caso podem ser consultadas no portal da Polícia Federal.
Fonte: dm.com.br