Paulo Nogueira Batista Jr. critica reação do mercado financeiro à candidatura de Flávio Bolsonaro
A recente oscilação positiva na Bolsa de Valores e a queda do dólar, registradas após o primeiro turno das eleições, foram alvo de duras críticas por parte do economista Paulo Nogueira Batista Jr. Em entrevista concedida à CartaCapital, o ex-diretor do FMI afirmou que a euforia dos investidores diante da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) demonstra uma desconexão preocupante com a realidade econômica e institucional do País.
Crítica à volatilidade do mercado financeiro
Para o economista, a reação do mercado, que viu o Ibovespa superar a marca dos 200 mil pontos e o dólar recuar mais de 4%, reflete um comportamento contaminado por vícios políticos. Nogueira Batista Jr. classificou a euforia como um sinal de que o mercado financeiro carece de critérios sólidos, agindo sob influência de expectativas que, segundo ele, não condizem com a viabilidade de um projeto de governo estruturado.
Paralelos com o cenário argentino de Javier Milei
O economista traçou um paralelo direto entre a proposta de governo de Flávio Bolsonaro e a gestão de Javier Milei na Argentina. Ao questionar a capacidade técnica do candidato do PL, o ex-presidente do Banco dos Brics alertou para os riscos de uma política de desmonte estatal. A preocupação ganha corpo com a declaração de Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha, que em 14 de setembro mencionou o mapeamento de mil normas para revogação, inspirando-se em medidas adotadas pelo governo argentino.
Riscos de instabilidade e destruição econômica
Embora reconheça que a economia brasileira apresenta maior robustez que a vizinha, Paulo Nogueira Batista Jr. advertiu que o País não é imune a processos de deterioração. Ele reforçou que a falta de experiência em gestão de Flávio Bolsonaro, a quem descreveu como um parlamentar de trajetória limitada, representa um perigo real para a estabilidade nacional. O economista citou o exemplo da Argentina, onde a pobreza atingiu 32,3% da população no primeiro semestre de 2026, com um impacto devastador de 44,5% entre menores de 14 anos, como um alerta sobre os resultados de políticas ultraliberais radicais.
Fonte: cartacapital.com.br