POLÍCIA

Queda de estrogênio na menopausa acelera ganho de peso e impulsiona busca por semaglutida

A menopausa é um marco biológico que traz transformações profundas no organismo feminino, sendo caracterizada por oscilações hormonais severas que impactam diretamente o metabolismo. Além dos sintomas clássicos, como as ondas de calor e a insônia, a dificuldade em manter o peso torna-se um dos maiores desafios para as mulheres nessa fase. Esse cenário tem gerado um aumento significativo na procura por intervenções farmacológicas, especialmente as chamadas canetas emagrecedoras.

Em entrevista ao Jornal Opção, o médico João Paulo Batista de Souza, mestre em Biociências e especialista em medicina de precisão na Evidare Clinic, detalhou como a transição hormonal afeta a composição corporal. Segundo o especialista, o processo começa na perimenopausa, quando os ovários reduzem gradualmente a produção de hormônios, com destaque para o estrogênio. Essa mudança não é apenas reprodutiva, mas sistêmica, alterando a forma como o corpo processa gorduras e armazena energia.

Impacto do declínio hormonal no metabolismo feminino

A redução dos níveis de estrogênio compromete a proteção metabólica natural da mulher, favorecendo o acúmulo de gordura visceral. João Paulo Batista de Souza explica que essa deficiência hormonal acarreta sintomas marcantes, como menstruação irregular, suores noturnos e irritabilidade. O inchaço e o aumento de peso tornam-se queixas frequentes nos consultórios, muitas vezes acompanhados de dores de cabeça e fadiga persistente.

O especialista ressalta que a queda hormonal não afeta apenas a balança, mas também o comportamento. Os sintomas físicos podem levar a uma redução drástica na atividade física, criando um ciclo vicioso de sedentarismo e acúmulo lipídico. Em alguns casos clínicos acompanhados pelo médico, pacientes chegaram a ganhar mais de 10 quilos em um intervalo inferior a um ano devido a esse desequilíbrio.

Relação entre transição biológica e uso de semaglutida

Um levantamento realizado pelo médico em janeiro deste ano revelou um dado estatístico relevante: a maioria dos usuários de medicamentos à base de semaglutida no Brasil são mulheres com idade média de 47 anos. Este dado coincide exatamente com o período da perimenopausa, fase em que cerca de 60% a 70% das mulheres relatam ganho de peso involuntário.

Nesse contexto, a semaglutida, que atua como um análogo de GLP-1, surge como uma ferramenta terapêutica para auxiliar no controle ponderal e na regulação do metabolismo do colesterol. No entanto, o médico enfatiza que o medicamento deve ser visto como parte de uma estratégia maior e não como uma solução isolada para as mudanças hormonais da menopausa.

Critérios clínicos para o uso seguro de canetas emagrecedoras

O uso das canetas emagrecedoras exige rigoroso acompanhamento médico para evitar complicações graves. João Paulo Batista de Souza alerta que a automedicação ou o uso sem critérios pode desencadear quadros de pancreatite ou desidratação severa. Antes de iniciar o tratamento, é indispensável a realização de exames laboratoriais e de imagem, como o ultrassom abdominal, para descartar contraindicações como pedras na vesícula ou distúrbios na tireoide.

Outro fator determinante para o sucesso do tratamento é a higiene do sono. As alterações hormonais provocam suores noturnos que fragmentam o descanso, elevando os níveis de estresse e desregulando os sinais de fome e saciedade no cérebro. Sem tratar a qualidade do sono, a eficácia de qualquer medicação para perda de peso pode ser comprometida, exigindo muitas vezes uma abordagem que inclua a reposição hormonal.

Estratégias integradas para preservação da qualidade de vida

O tratamento eficaz na menopausa deve ser multidisciplinar, envolvendo nutricionistas e psicólogos. É fundamental diferenciar sintomas hormonais de possíveis quadros depressivos ou déficits vitamínicos. O médico reforça que a base de qualquer intervenção deve ser a mudança no estilo de vida, priorizando uma alimentação equilibrada e a prática regular de exercícios físicos para mitigar os efeitos da perda estrogênica.

Para casos onde as mudanças de hábito não são suficientes, a medicina oferece um leque de opções que inclui desde suplementação leve até terapias hormonais e medicamentos não hormonais para o controle dos fogachos. Segundo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o acompanhamento individualizado é a única forma de garantir que a mulher atravesse essa fase com saúde e bem-estar, recuperando sua vitalidade e autoestima.

Fonte: jornalopcao.com.br

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