Nunes Marques manda tirar do ar jornal de sindicato que fazia campanha para Lula

O ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, determinou a interrupção imediata da distribuição de um jornal produzido pelo Sindipetro Unificado. A decisão atende a um pedido formalizado pela campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que apontou a utilização indevida da estrutura sindical para promoção eleitoral.
A legislação eleitoral brasileira veda expressamente que pessoas jurídicas, incluindo entidades de classe e sindicatos, empreguem recursos próprios ou infraestrutura para financiar ou impulsionar campanhas de candidatos. A medida cautelar busca preservar o equilíbrio da disputa e evitar o uso de fontes de financiamento proibidas.
Decisão judicial sobre material de campanha
O material impresso pelo sindicato, que totalizava cerca de 30.000 exemplares, defendia abertamente a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O conteúdo argumentava que a continuidade do projeto petista seria mais vantajosa para os trabalhadores da Petrobras, o que motivou a ação judicial por parte da coligação adversária.
Ao analisar o caso, Kassio Nunes Marques acolheu os argumentos da defesa de Flávio Bolsonaro. O ministro ordenou o recolhimento imediato de todo o material que ainda não havia chegado aos destinatários, abrangendo tanto a versão física quanto a circulação digital do informativo.
Em sua fundamentação, o magistrado destacou a necessidade de cessar a propaganda considerada irregular. “A concessão da tutela torna-se necessária para cessar a distribuição de propaganda eleitoral irregular e reduzir os efeitos do eventual emprego de recursos de fonte vedada na disputa eleitoral”, afirmou o ministro, estabelecendo uma multa diária de R$ 10.000 em caso de descumprimento da ordem.
Reação do Sindipetro Unificado
Em resposta oficial, o Sindipetro Unificado manifestou profunda discordância em relação à determinação judicial. A entidade classificou a decisão como um ato de censura e um ataque direto ao exercício da liberdade de expressão e ao direito fundamental de acesso à informação.
O sindicato argumentou que a publicação tinha como objetivo central o debate sobre os rumos estratégicos da Petrobras. Segundo a nota divulgada à imprensa, impedir a circulação do material representa um cerceamento do direito de discutir temas de interesse público e da categoria petroleira. Informações detalhadas sobre o processo podem ser consultadas na Agência Brasil.