Política

Especialista da Atlas aponta que ato pró-Lula e mudança no eleitorado divergem das pesquisas

A mobilização de eleitores do presidente Lula e uma mudança sem precedentes no padrão de comparecimento ajudam a explicar por que as pesquisas de intenção de voto no sábado 24 não captaram a onda favorável à candidatura do petista. Na disputa, o candidato derrotou Flávio Bolsonaro por quase 4,4 milhões de votos no domingo 25. A avaliação é de Yuri Sanches, chefe de Risco Político e Análise Política do instituto AtlasIntel, em entrevista a CartaCapital.

Os principais levantamentos divulgados na véspera do primeiro turno mostravam Flávio à frente de Lula. AtlasIntel, Datafolha e Quaest, por exemplo, apresentavam um placar de 51% a 49% a favor do senador, enquanto nas urnas o candidato do PT venceu por 51,79% a 48,21%.

Desafios na estimativa de comparecimento às urnas

O universo de eleitores que não compareceram às urnas caiu de 21,08% no primeiro turno para 19,22%, uma diminuição de 1,86 ponto percentual. Em números absolutos, o recuo foi de 33,5 milhões para 30,5 milhões de eleitores.

As pesquisas de opinião medem dois aspectos fundamentais, que são a intenção de voto e a perspectiva de comparecimento à urna. Identificar se o eleitor de fato votará, no entanto, apresenta um desafio complexo para os institutos especializados.

Complexidade metodológica e comportamento humano

O analista Yuri Sanches pontuou que o setor lida com uma ciência exata pautada em opinião pública que se traduz no comportamento humano. Quando o padrão do primeiro turno muda drasticamente, a captura dessa dinâmica pelas pesquisas torna-se uma tarefa árdua.

A discussão sobre a precisão dos levantamentos divide opiniões técnicas sobre o papel dos institutos. Enquanto alguns apontam erro nos percentuais, defensorem a linha de que o levantamento funciona como um retrato do momento sem prever mudanças fora da coleta.

Fatores subjetivos e o peso histórico

Aspectos mais subjetivos exigem pesquisas qualitativas para compreender a direção do eleitorado. A figura de Lula, com seu peso histórico e participação em quase todas as eleições desde a redemocratização, exemplifica um fator difícil de quantificar estatisticamente.

A mobilização expressiva do campo progressista nas redes sociais recolocou o debate sobre o comportamento futuro do eleitorado brasileiro. O cenário atual permanece complexo e desafiador para a leitura das próximas disputas políticas no país.

Fonte: cartacapital.com.br

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