Ministro do Trabalho liga assédio eleitoral a discurso da família Bolsonaro
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, associou o aumento dos relatos de assédio eleitoral ao discurso político da família Bolsonaro. Segundo ele, manifestações de ódio e preconceito estimuladas por integrantes da família teriam influenciado empresários a retaliar trabalhadores após o pleito presidencial.
A declaração ocorreu durante uma coletiva em Brasília, convocada após apoiadores de Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro iniciarem uma campanha de boicote a trabalhadores e empresários identificados como eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva.
Campanha de boicote e repercussão política
As publicações de apoiadores da família Bolsonaro começaram a circular após a divulgação do resultado do segundo turno. Lula foi reeleito para seu quarto mandato após derrotar Flávio na disputa presidencial.
O movimento envolveu chamados à demissão de empregados, à não contratação de profissionais e ao boicote a pequenos empresários e empreendedores autônomos. Listas com nomes de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviço associados a eleitores petistas foram distribuídas em grupos de mensagens em diferentes cidades.
Relatos registrados pelo Ministério Público do Trabalho
A manifestação de Marinho aconteceu depois de o MPT divulgar um crescimento nos registros de assédio eleitoral após o segundo turno. O órgão havia recebido mais de mil relatos nos três dias posteriores à votação.
O total aproximado registrado durante o processo eleitoral chegava a mais de três mil relatos. Questionado sobre as razões do aumento, um representante do órgão afirmou que os registros ainda eram analisados e não havia elementos suficientes para explicar o fenômeno de forma isolada.
Força-tarefa e fiscalização trabalhista
Diante do cenário, o ministro anunciou que auditores-fiscais do Trabalho darão prioridade à apuração dos relatos de assédio eleitoral. A fiscalização ocorrerá nacionalmente, em articulação com o MPT e a AGU.
Segundo o governo, empresas citadas poderão ser convocadas para reuniões com representantes dos trabalhadores e sindicatos. Quando irregularidades forem identificadas, medidas poderão ser adotadas para buscar a reintegração de empregados demitidos por motivação política e reparações financeiras.
Posicionamento e diretrizes governamentais
O ministro afirmou que as medidas buscam responsabilizar apenas empregadores que pratiquem irregularidades, sem atingir o empresariado de forma generalizada. A proteção, segundo a pasta, deve valer para trabalhadores de qualquer posicionamento político.
O governo também informou que pretende orientar sindicatos e trabalhadores sobre os canais de comunicação para denúncias de assédio, além de divulgar informações sobre o tema por meio de ferramentas digitais de trabalho.
Fonte: poder360.com.br