Lindbergh Farias aciona STF para reabrir apuração sobre Flávio Bolsonaro na Postal OFF
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou uma petição junto ao Supremo Tribunal Federal solicitando a reabertura de investigações que citam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O pedido está relacionado à Operação Postal OFF, deflagrada em 2019, que desarticulou um esquema de fraudes nos Correios com prejuízos estimados em, ao menos, R$ 94 milhões.
A ação, disponível para consulta na íntegra, sustenta que elementos probatórios envolvendo o parlamentar não foram devidamente aprofundados pelas autoridades competentes à época. O esquema investigado consistia no subfaturamento de postagens, facilitado pela atuação de servidores e dirigentes da estatal.
Indícios e referências em interceptações telefônicas
O documento apresentado por Lindbergh Farias aponta três episódios distintos ocorridos entre dezembro de 2018 e abril de 2019. Em um dos casos, o empresário Eduardo Scheurer, ligado ao Grupo Positiva, teria mencionado acesso a um senador para tratar de indicações de cargos. Outro ponto citado envolve o empresário Carlos Favoreto, que teria discutido uma proposta de R$ 1 milhão mensais para a nomeação da presidência dos Correios.
Além disso, uma interceptação telefônica de abril de 2019 registra o então diretor dos Correios em São Paulo, Marco Venicio da Costa, citando uma solicitação de indicação feita por uma pessoa influente, posteriormente identificada pelo interlocutor como alguém do sobrenome Bolsonaro. O deputado argumenta que esses relatos deveriam ter sido confrontados com diligências oficiais.
Questionamentos sobre a condução da investigação
A petição destaca que os áudios contendo menções ao senador permaneceram fora dos autos por mais de um ano, sendo anexados apenas em fevereiro de 2021, após o encerramento da fase ostensiva da operação. O parlamentar argumenta que, após essa inclusão, não houve o devido desdobramento investigativo para verificar a veracidade das informações.
Em 2021, a Justiça Federal chegou a encaminhar o caso ao STF, sob a relatoria do ministro Kassio Nunes Marques. Na ocasião, a Procuradoria Geral da República entendeu que as menções eram insuficientes para justificar uma investigação formal contra o senador, levando à devolução do processo à primeira instância em dezembro daquele mesmo ano.
Medidas urgentes e preservação de provas
O novo pedido ao STF busca, além da retomada das apurações, a preservação imediata de provas, incluindo registros de entrada em prédios, agendas oficiais e dados de viagens entre o Rio de Janeiro e Brasília. O deputado solicita a realização de perícias nos arquivos de áudio e a oitiva de figuras centrais citadas nas gravações, como Francisco Esquef e Marciano Oliveira.
O documento reforça que não há, até o momento, a comprovação da participação de Flávio Bolsonaro no esquema, mas defende que a ausência de investigação formal à época permite a reabertura do caso. O pedido inclui ainda a redistribuição do inquérito por sorteio, sob a alegação de que o ministro Kassio Nunes Marques não deveria ser considerado prevento.
O Poder360 entrou em contato com a assessoria de Flávio Bolsonaro para solicitar um posicionamento sobre as alegações, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.