Ifood compra Caju avaliada em R$ 1 bilhão para liderar mercado de benefícios corporativos

Em sua maior movimentação financeira já registrada, a plataforma brasileira de entregas iFood, controlada pelo conglomerado multinacional Prosus, acertou a aquisição integral da Caju. A transação envolve a startup especializada na administração de despesas flexíveis e soluções de recursos humanos que tem valor de mercado estimado em cerca de R$ 1 bilhão. Conduzida por meio da unidade iFood Benefícios, a operação ainda depende do aval de instâncias regulatórias federais antes de consumar a unificação dos serviços.
A ofensiva corporativa ocorre em um estágio em que a indústria nacional de vale-refeição e alimentação atravessa uma profunda transformação em suas diretrizes legais. O acordo bilionário reflete a estratégia do grupo investidor para intensificar a oferta de soluções financeiras em um setor que movimenta cifras expressivas em todo o território nacional.
iFood Benefícios e os detalhes da maior aquisição corporativa do grupo
Criada em 2020 para disputar o setor de vales corporativos, a vertical iFood Benefícios sustentou uma taxa de expansão em torno de 80% ao ano no último triênio. Apesar de o montante desembolsado pela transação permanecer sob sigilo comercial, o investimento faz parte de um plano global de R$ 24 bilhões alocado pela Prosus para o exercício fiscal com encerramento previsto para março.
Para que o negócio seja totalmente finalizado, a aquisição precisará ser submetida e homologada tanto pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) quanto pelo Banco Central. Enquanto o processo corre nos órgãos de controle, as duas empresas mantêm rotinas corporativas, administrações e estruturas operacionais completamente separadas no dia a dia.
Regulação no PAT abre caminho para maior concorrência entre operadoras
O mercado de benefícios movimenta cerca de R$ 150 bilhões anuais no Brasil, alcançando mais de 22 milhões de trabalhadores formais e 470 mil organizações cadastradas no PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador). Historicamente marcado por taxas expressivas cobradas do comércio credenciado, o ecossistema passou por uma guinada com alterações na legislação consolidadas no final de 2025.
As diretrizes atuais fixaram um teto regulatório de 3,6% para as comissões pagas pelos estabelecimentos comerciais aos emissores de cartões, além de permitirem a abertura formal dos arranjos de pagamento. Segundo Arthur Freitas, presidente do iFood Benefícios, o objetivo é alavancar a tecnologia para viabilizar taxas mais atraentes do que as praticadas pelos operadores tradicionais.
Estrutura operacional e a estratégia conjunta após o aval dos órgãos reguladores
Com a validação oficial do processo, o cofundador da Caju, Eduardo Del Giglio, permanecerá nas atividades da companhia com a proposta de manter três verticais operacionais ativas:
- Expansão de vale-refeição e alimentação com ferramentas digitais integradas.
- Soluções flexíveis dedicadas a transporte, despesas de mobilidade e premiações.
- Ecossistema de software para simplificar rotinas de departamentos de pessoal e RH.
A consolidação da fatia de benefícios ocorre simultaneamente à intensificação da concorrência no aplicativo principal de entregas da empresa. Em âmbito nacional, a marca tem enfrentado a concorrência e aportes vultosos de plataformas como Keeta e 99Food, além de Rappi e Aiqfome. Na montagem do contrato societário, a Caju teve suporte financeiro e jurídico do Lazard e do escritório Pinheiro Neto, enquanto o iFood Benefícios atuou assessorado pelo escritório Mattos Filho.