Esportes

Registro de safári na África do Sul expõe elo entre Flávio Bolsonaro e alvos de fraude no INSS

Uma fotografia obtida pela Polícia Federal revela o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um safári na África do Sul ao lado de figuras centrais de uma investigação sobre desvios no INSS. O registro, datado de março de 2025, traz o parlamentar em companhia do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e do advogado Willer Tomaz, ambos sob apuração por suspeitas de fraudes bilionárias que atingiram o sistema previdenciário brasileiro.

A imagem foi recuperada pelos investigadores após a apreensão do celular de Willer Tomaz em agosto, durante a Operação Sem Desconto. O material estava armazenado em um grupo de mensagens intitulado “África do Sul”, que contava com a participação dos políticos e de seus familiares. A divulgação do conteúdo, ocorrida nesta 6ª feira (19.set.2026), reforça o escrutínio das autoridades sobre a proximidade entre o senador e o advogado, cuja relação já é alvo de análise em diversos inquéritos.

Rastreamento de viagens internacionais e logística

A Polícia Federal identificou uma série de deslocamentos internacionais realizados pelo grupo ao longo de 2025. Além do safári, e-mails e registros migratórios apontam que Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz realizaram ao menos 5 viagens ao exterior no primeiro semestre daquele ano, incluindo passagens por Portugal, França e Estados Unidos. Em alguns desses trajetos, o uso de jatinhos particulares e a contratação de serviços de luxo foram documentados pelos agentes.

Um dos episódios envolveu a posse de Donald Trump nos Estados Unidos, em janeiro de 2025. Na ocasião, o grupo utilizou uma aeronave da empresa Prime You para se deslocar pela Flórida. A PF apura se a estrutura logística oferecida pelo advogado servia como um suporte financeiro e operacional para os políticos envolvidos, levantando questionamentos sobre a origem dos recursos e a natureza das parcerias estabelecidas.

Conexões com a VTCLog e o relatório da CPI

A foto do safári também expõe a presença do empresário Carlos Alberto de Sá, conhecido como Carlinhos. O nome do empresário já figurava no relatório final da CPI da Covid, aprovado em 2021, que sugeriu seu indiciamento por corrupção ativa e improbidade administrativa. À época, ele era sócio da empresa VTCLog, que prestava serviços ao Ministério da Saúde e foi um dos focos centrais dos trabalhos da comissão parlamentar.

Estrutura patrimonial sob suspeita

As investigações da PF apontam que o escritório de Willer Tomaz operava como um verdadeiro hub financeiro e logístico para beneficiar o senador Weverton Rocha. Entre os pontos de maior interesse dos investigadores está a aquisição de uma residência no Lago Sul, em Brasília, avaliada em R$ 6 milhões. Embora o imóvel esteja registrado em nome da WT Administração de Imóveis e Bens S/A, a corporação sustenta que o senador é o real ocupante e beneficiário econômico do bem.

Posicionamentos oficiais

Em nota enviada ao Poder360, a assessoria de Flávio Bolsonaro classificou a amizade entre as famílias como legítima. O texto afirma que “qualquer tentativa de insinuar irregularidade a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos”. Até o momento, as defesas de Weverton Rocha e Willer Tomaz não responderam aos pedidos de manifestação sobre os novos elementos apresentados pela investigação.

Fonte: poder360.com.br

Botão Voltar ao topo