José Sérgio Gabrielli defende ajuste fiscal progressivo e redução de juros
O debate sobre os rumos da economia brasileira ganhou novo capítulo com a publicação de um artigo assinado por José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo da campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. No texto, o economista defende a redução da taxa básica de juros por meio de um ajuste progressivo de gastos e receitas, argumentando contra o que classifica como uma austeridade prejudicial ao próprio eleitor.
A publicação ocorreu em meio à apreensão manifestada pelo mercado financeiro em relação à política fiscal do próximo governo. No documento intitulado “Política fiscal para o fim de 2026 e para 2027”, o autor sustenta que não há correlação forte nas últimas décadas entre o resultado primário e a curva da taxa de juros no país.
Visão sobre a dívida pública e solvência do país
Ao abordar a trajetória das contas públicas, José Sérgio Gabrielli minimiza os temores quanto à solvência nacional e afirma não enxergar motivos para pânico. O texto destaca a dívida líquida, que desconta os ativos financeiros do setor público e está em 69,3% do PIB, como uma referência mais adequada do que a dívida bruta.
O documento aponta que a maior parte da dívida está denominada em moeda nacional e ressalta a presença de reservas cambiais expressivas para afastar riscos de insolvência. Segundo o autor, a alta taxa de juros atua como a principal força impulsionadora do crescimento da dívida pública brasileira no cenário atual.
Propostas para o controle de gastos sociais
O artigo enfatiza que eventuais reduções de despesas públicas devem preservar conquistas sociais fundamentais. Entre as diretrizes apontadas estão a manutenção do valor real do salário mínimo e a preservação do acesso a programas de transferência de renda e pisos constitucionais.
- Preservação do poder de compra do salário mínimo.
- Manutenção dos repasses para o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada.
- Proteção dos pisos constitucionais destinados à saúde e à educação.
Para compensar a necessidade de equilíbrio fiscal sem atingir essas áreas, o texto aponta como prioridades a revisão de benefícios tributários ineficientes, a análise criteriosa de contratos públicos e a recuperação de créditos tributários devidos por grandes contribuintes.
Reação do mercado e propostas de coordenação
O documento também menciona a proposta inspirada pelo economista André Lara Resende para a criação de um conselho fiscal e monetário conjunto, com metas plurianuais. A ideia sugere a redução gradual da Selic para patamares menores, gerando reações divergentes e resistência por parte de autoridades econômicas e agentes financeiros.
Para conferir a íntegra do documento oficial, acesse o arquivo em PDF disponibilizado sobre o tema.
Fonte: poder360.com.br