POLÍCIA

Esquema de licenças falsas de treinador envolve ex-jogador Alejandro Mancuso

Uma investigação jornalística revelou um esquema de comercialização de licenças de treinador de futebol que envolve o ex-jogador Alejandro Mancuso. Atletas de renome internacional teriam recebido diplomas atribuídos à ATFA (Associação de Técnicos de Futebol Argentino) sem a realização das etapas acadêmicas e práticas exigidas pela entidade. O caso, que veio à tona nesta quarta-feira (7.out.2026), aponta para a venda de documentos por valores que chegariam a R$ 100 mil.

Operação de venda de certificados e diplomas

Segundo os relatos e documentos reunidos, Mancuso se apresentava como diretor internacional da instituição argentina e prometia um trâmite urgente para a obtenção das licenças C, B, A e PRO. Os certificados eram enviados via correio aos interessados, contornando o processo de formação progressiva que, segundo a própria ATFA, é obrigatório para qualquer profissional, independentemente de sua trajetória como jogador.

Entre os nomes citados na apuração estão figuras de destaque no cenário mundial, como Thiago Silva, Roberto Carlos, Felipe Melo, Alex de Souza, Paulinho, Luiz Gustavo, Dejan Petkovic, Diego Lugano e Paolo Guerrero. Muitos dos atletas alegaram ter acreditado que estavam contratando um serviço de homologação de carreira ou formação acelerada, embora alguns tenham demonstrado desconfiança ao perceberem a falta de aulas ou a inconsistência das avaliações recebidas.

Posicionamento da entidade argentina

A ATFA nega categoricamente qualquer vínculo com Alejandro Mancuso. Em nota oficial, a associação esclareceu que o ex-jogador não integra sua diretoria, não possui cargo de autoridade e jamais recebeu autorização para representar a instituição. A entidade classificou os documentos emitidos como falsos e afirmou desconhecer as comunicações atribuídas a seu diretor acadêmico, Pablo Goglino.

Desdobramentos judiciais na Argentina

O caso já foi alvo de escrutínio pelas autoridades argentinas. Em 2025, a polícia realizou uma operação de busca e apreensão na sede da ATFA para investigar denúncias sobre a emissão irregular de licenças para estrangeiros. No entanto, a Justiça Federal Criminal e Correcional encerrou o processo em dezembro de 2025, arquivando o caso por inexistência de crime após não encontrar provas documentais que sustentassem as acusações contra a federação.

Por sua vez, Mancuso nega todas as acusações de venda de documentos falsos ou recebimento de valores ilícitos. O ex-atleta sustenta que apenas oferecia orientações aos interessados em buscar formação na Argentina e reforça que os atletas deveriam ter tratado diretamente com a federação. A ATFA, contudo, mantém sua postura de que tomará medidas legais contra o uso indevido de seu nome e de seus dirigentes.

Fonte: poder360.com.br

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