POLÍCIA

Maílson da Nóbrega alerta indústria goiana para riscos de baixo crescimento econômico

O ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, apresentou um diagnóstico cauteloso sobre o futuro da economia brasileira durante palestra realizada na Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg). Diante de um cenário marcado por incertezas globais e fragilidades estruturais internas, o economista recomendou que o setor produtivo goiano adote uma postura defensiva, priorizando a preservação de caixa e a contenção de novos investimentos para atravessar o período de instabilidade previsto.

Segundo o especialista, o Brasil encontra-se preso em uma armadilha de baixo crescimento, agravada por taxas de juros elevadas e uma dívida bruta que supera 90% do Produto Interno Bruto (PIB). As projeções apresentadas pelo ex-ministro indicam um ritmo de expansão modesto para os próximos anos, com o PIB estimado em 1,8% para 2026, caindo para 1% em 2027, 1,3% em 2028 e 1,7% em 2029. Esse quadro, aliado a um possível aumento da taxa de desemprego, exige atenção redobrada dos empresários.

Estratégias de sobrevivência para o setor produtivo

Para mitigar os impactos da crise, Maílson da Nóbrega enfatizou a necessidade de controle rigoroso do endividamento. O ex-ministro destacou que, em momentos de escassez de crédito e elevação dos custos financeiros, a liquidez torna-se o ativo mais valioso para a sobrevivência das companhias. Ele sugeriu que entidades empresariais intensifiquem a promoção de debates e estudos técnicos para que o setor possa antecipar riscos e ajustar suas estratégias operacionais.

Desafios geopolíticos e incertezas internacionais

O cenário externo também impõe barreiras significativas ao crescimento, com destaque para a fragmentação das regras multilaterais de comércio. O ex-ministro apontou que a política tarifária adotada pelos Estados Unidos, especialmente sob a gestão de Donald Trump, viola a lógica econômica tradicional e gera riscos diretos para a economia global. Maílson defendeu que o Brasil mantenha uma postura ativa na negociação para a redução dessas tarifas, buscando proteger as empresas nacionais afetadas pelo protecionismo.

Reformas estruturais e o futuro da infraestrutura

A transição para o sistema de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) foi apontada como um passo fundamental para elevar a produtividade e a competitividade do país, embora o processo exija adaptações custosas. O economista ressaltou que a resistência ao novo modelo tributário decorre, em grande parte, do desconhecimento técnico sobre suas operações. Além disso, ele reforçou que a capacidade de investimento público, vital para a logística e infraestrutura, depende da aprovação de reformas estruturais, incluindo mudanças na Previdência e maior flexibilidade orçamentária.

Ao avaliar o desenvolvimento regional, Maílson reconheceu a evolução significativa de Goiás e do Centro-Oeste nas últimas quatro décadas, citando melhorias em estradas e ferrovias. Contudo, alertou que a continuidade desse progresso está atrelada à capacidade do Estado brasileiro de realizar ajustes fiscais que ampliem a margem para investimentos públicos. Para mais detalhes sobre a gestão do setor, confira a reeleição de André Rocha na Fieg.

Fonte: jornalopcao.com.br

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