Nova fórmula com clorexidina e óleos naturais combate fungo hospitalar resistente

Um estudo científico recente, publicado na revista Pathogens, revelou uma alternativa promissora para o controle de infecções em ambientes hospitalares. Pesquisadores desenvolveram uma formulação antisséptica que combina clorexidina alcoólica a 0,5% com compostos orgânicos naturais, como eugenol e mentol, demonstrando alta eficácia na inibição do fungo Candida parapsilosis.
O microrganismo é uma das principais causas de contaminação em unidades de saúde devido à sua capacidade de formar biofilmes em dispositivos médicos e superfícies inanimadas. Além da resistência a diversos medicamentos, o fungo apresenta tolerância a desinfetantes convencionais, tornando o desenvolvimento de novas soluções uma prioridade para a segurança do paciente.
Potencialização da ação antisséptica e cuidado dermatológico
A pesquisa, coordenada pela professora Regina Helena Pires, da Unifran, busca superar as limitações dos produtos atuais. Embora a clorexidina e o etanol a 70% possuam propriedades fungicidas reconhecidas, o uso contínuo desses agentes pode causar ressecamento severo na pele dos profissionais de saúde, que realizam a higienização das mãos dezenas de vezes ao dia.
A adição de fitoterápicos na composição atua de forma sinérgica, aumentando a eficácia antimicrobiana enquanto oferece propriedades hidratantes. Os testes foram realizados com amostras coletadas de profissionais que atuam em UTIs pediátricas e oncológicas, confirmando que a combinação de substâncias pode ser a chave para reduzir a transmissão cruzada do fungo.
Avanço científico e validação laboratorial
O projeto, que conta com o apoio da Fapesp, envolve uma rede colaborativa entre instituições como a UFU, o IMT-FM-USP e a Universidade do Minho, em Portugal. Desde 2023, o grupo tem refinado as formulações e avançado para etapas críticas de validação.
Atualmente, os cientistas realizam testes de toxicidade utilizando o modelo de invertebrado Caenorhabditis elegans e ensaios em pele de porco, que simula com precisão o tecido humano. A próxima fase, prevista para outubro de 2026, incluirá análises avançadas de microscopia de varredura e imunofluorescência em Portugal, visando observar detalhadamente a deterioração das células fúngicas após a aplicação do antisséptico.