Daniel Vorcaro afirma à Polícia Federal que planejava deixar comando do Banco Master
Em depoimento prestado à Polícia Federal em 15 de outubro de 2026, Daniel Vorcaro declarou que tinha a intenção de deixar a presidência do Banco Master e transferir a gestão executiva para outro profissional. O registro das declarações foi tornado público e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal em 29 de outubro de 2026, revelando detalhes sobre os planos de reorganização societária envolvendo a instituição financeira e o Banco de Brasília.
Segundo o empresário, a reestruturação visava constituir um conglomerado financeiro que uniria as operações de ambas as instituições, mantendo estruturas próprias de funcionamento. As negociações envolveram diferentes formatos administrativos ao longo do processo de consolidação do projeto entre os bancos envolvidos.
Contexto das negociações com o Banco de Brasília
Durante as tratativas para a criação da nova estrutura corporativa, o projeto passou por diversas configurações estratégicas. O modelo discutido previa a cooperação operacional entre o Banco Master e o Banco de Brasília, preservando as autonomias institucionais e estabelecendo diretrizes administrativas comuns para o conglomerado pretendido.
O empresário apontou que o então dirigente do banco brasiliense, Paulo Henrique Costa, chegou a ser cotado para assumir funções executivas de relevo na nova holding ou nas instituições parceiras. A efetivação dessas posições estaria condicionada às análises regulatórias do Banco Central e ao formato definitivo da operação societária.
Pressões de mercado e resistência pessoal
Daniel Vorcaro argumentou que a decisão de afastar-se da gestão executiva respondia a pressões vindas do mercado financeiro e a resistências direcionadas à sua figura pessoal. O fundador do banco avaliava que sua permanência poderia gerar ruídos desnecessários para a consolidação da nova fase institucional.
Inicialmente, cogitou-se a permanência de Vorcaro em um conselho de administração, hipótese que também foi descartada posteriormente. A intenção declarada era promover uma transição completa no comando executivo do banco para blindar o projeto de reestruturação contra questionamentos externos.
Esclarecimentos sobre imóveis e investigações
O depoimento também abordou discussões relativas à disponibilização de moradias em São Paulo e Brasília para Paulo Henrique Costa. Daniel Vorcaro negou qualquer relação entre a oferta de imóveis e a aprovação de operações financeiras ou sistemas de propina investigados pela Polícia Federal.
Segundo a defesa apresentada no depoimento, a provisão de habitação fazia parte exclusivamente dos benefícios previstos para o futuro gestor executivo do banco. As investigações em curso continuam a apurar os desdobramentos das tratativas e as acusações conduzidas pelas autoridades competentes.
Fonte: poder360.com.br