POLÍCIA

Fim da escala 6×1 gera debate sobre futuro do emprego na hotelaria goiana

A promulgação do fim da escala 6×1 pelo Senado Federal, ocorrida na sexta-feira, 16, instaurou um clima de incerteza e divergência no setor hoteleiro de Goiás. Enquanto lideranças empresariais alertam para possíveis demissões e aumento de custos operacionais, especialistas e estudos econômicos apresentam perspectivas distintas sobre os impactos da mudança na jornada de trabalho.

Impactos operacionais e preocupações do setor hoteleiro

Charleston Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Goiás (ABIH-GO), manifestou oposição à nova legislação. Segundo o dirigente, a adaptação exigirá ajustes estruturais profundos, forçando estabelecimentos a escolherem entre a contratação de novos funcionários para cobrir escalas ou a redução de quadros e terceirização de serviços.

O próprio Pimentel exemplificou as medidas de contenção que pretende adotar em seu empreendimento, incluindo a terceirização da lavanderia. O empresário projeta a demissão de quatro colaboradores e cortes em despesas com energia e materiais de limpeza, argumentando que a medida prejudica a economia e reduz a oferta de vagas formais.

Perspectivas econômicas sobre a redução da jornada

A tese de que a redução da carga horária resultará em desemprego em massa é contestada por evidências históricas. Pesquisas coordenadas pelo economista Naercio Menezes Filho, do Insper e da FEA-USP, analisaram a transição da jornada de 48 para 44 horas após a Constituição de 1988 e não identificaram um aumento significativo no desemprego entre os trabalhadores afetados.

Dados internacionais corroboram essa visão. Um estudo publicado em 2022 na revista World of Labour, do Instituto de Economia do Trabalho (IZA), examinou reformas em países como França, Itália e Portugal. Os resultados indicaram que o aumento do custo da mão de obra por hora foi absorvido pelas empresas sem comprometer os níveis de emprego, mantendo o crescimento econômico estável durante os períodos analisados.

Potencial de produtividade e retenção de talentos

Do ponto de vista do mercado de trabalho, a mudança na escala 6×1 é vista por especialistas como uma oportunidade para reduzir a alta rotatividade, que chega a 79% no setor de bares e restaurantes. Adriana Marcolino, diretora técnica do Dieese, pontua que a reorganização do trabalho pode elevar a produtividade e estimular investimentos em tecnologia.

A redução da jornada, ao tornar as vagas mais atrativas, pode auxiliar as empresas a reterem profissionais qualificados, mitigando os custos recorrentes com processos seletivos e treinamentos. O debate, portanto, permanece dividido entre o receio imediato de custos operacionais e a expectativa de uma modernização das relações laborais a longo prazo.

Para mais informações sobre o cenário legislativo, consulte o Portal do Senado Federal.

Fonte: jornalopcao.com.br

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