POLÍCIA

Fim da escala 6×1 gera alerta sobre custos operacionais e desafios no varejo

A recente aprovação pelo Senado Federal da proposta que estabelece o fim da escala de trabalho 6×1 marca uma transformação significativa nas relações trabalhistas no Brasil. Com a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, mantendo os salários e garantindo dois dias de descanso, o setor produtivo inicia um período de transição complexo. Em Goiás, representantes do comércio e de serviços alertam para a necessidade urgente de adaptação operacional diante das novas exigências legais.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi aprovada em dois turnos, com 75 votos favoráveis e apenas um contrário. A implementação ocorrerá de forma gradual, com a primeira etapa de redução para 42 horas semanais prevista para iniciar 60 dias após a promulgação. O cronograma completo de transição deve ser concluído em um prazo de 14 meses, forçando empresas a reestruturarem suas escalas de pessoal para evitar prejuízos na qualidade do atendimento ao cliente.

Impactos operacionais e custos no setor de varejo

Para o comércio varejista, o desafio central reside na manutenção do funcionamento dos estabelecimentos, especialmente naqueles que operam aos sábados e domingos. Hélia Gonçalves, representante da Câmara de Dirigentes Lojistas de Goiânia (CDL Goiânia), destaca que a reorganização das escalas é uma medida imediata que exige suporte técnico. Segundo a dirigente, a dependência de convenções coletivas será fundamental para mitigar os impactos financeiros que podem surgir com a necessidade de novas contratações.

A orientação da CDL Goiânia é para que os empresários não aguardem o prazo final de 60 dias. O mapeamento das escalas atuais e a consulta a contadores e sindicatos são vistos como passos essenciais para planejar a transição. A preocupação é que o fim do prazo coincida com o período de dezembro, considerado crítico para o faturamento do varejo, exigindo uma gestão de pessoal altamente eficiente para evitar a descontinuidade dos serviços.

Desafios financeiros para postos de combustíveis

O setor de postos de combustíveis projeta um cenário de pressão sobre os custos fixos. Márcio Martins, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Goiás (Sindiposto), estima uma elevação de aproximadamente 20% nas despesas com mão de obra. O dirigente aponta que a escassez de profissionais dispostos a atuar no segmento, somada à nova exigência de jornada, cria um gargalo logístico difícil de ser superado sem ajustes nos preços finais.

A possibilidade de repasse desses custos ao consumidor final é tratada como uma realidade provável pelos empresários. Como a mão de obra representa um componente relevante na composição dos preços, a manutenção da qualidade do atendimento e do horário de funcionamento depende da capacidade de cada empresa em absorver o aumento das despesas. A dificuldade em preencher quadros de funcionários, que já era um problema antes da mudança, tende a se agravar com a nova legislação.

Riscos de informalidade e estagnação econômica

O Sindicato do Comércio Varejista no Estado de Goiás (Sindilojas-GO) expressou preocupação com os efeitos sistêmicos da medida. A entidade alerta para o risco de aumento da informalidade, especialmente entre pequenos negócios que possuem margens financeiras estreitas e menor capacidade de absorver custos adicionais. Existe o receio de que a reorganização resulte em redução de vagas, comprometendo a renda familiar e gerando um efeito cascata na economia local.

A falta de um diálogo mais amplo com o setor empresarial antes da aprovação da PEC é um ponto de crítica recorrente entre as entidades representativas. Para mitigar os danos, especialistas sugerem que a automação e a revisão de processos internos sejam adotadas como estratégias de sobrevivência. O acompanhamento constante das normas estabelecidas pela legislação será o diferencial para as empresas que buscam manter a competitividade no novo cenário trabalhista.

Fonte: jornalopcao.com.br

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