POLÍCIA

Sílvia Lourdes do Nascimento Rodrigues: a trajetória entre a música e a literatura

Sílvia Lourdes do Nascimento Rodrigues, nascida na Cidade de Goiás em 20 de abril de 1929, consolidou-se como uma figura central na cultura goiana ao transitar com maestria entre a literatura, a música e a gestão pública. Filha de Affonso Franklin do Nascimento e Maria Djanira do Nascimento, e esposa do escritor José Lopes Rodrigues, ela construiu uma carreira marcada pela diversidade intelectual e pelo compromisso com as artes.

Formação acadêmica e atuação profissional

A sólida base educacional de Sílvia Rodrigues foi composta por formações em áreas distintas, refletindo sua versatilidade. Ela graduou-se em Ciências Contábeis e Atuariais, Ciências Econômicas pela PUC-GO e em Ciências Jurídicas e Sociais pela UFG. Essa trajetória acadêmica permitiu que ela ocupasse posições de destaque, como o primeiro lugar no concurso para contadora do IBGE em 1947, conciliando seu rigor técnico com uma sensibilidade artística latente.

Legado musical e reconhecimento internacional

A música ocupou um espaço fundamental na vida de Sílvia, que se destacou como violonista e violinista. Seus estudos com mestres como Crundwal Costa e o maestro belga Jean François Douliez foram decisivos para o refinamento de sua estética. Esse aprendizado influenciou diretamente a estrutura melódica de seus poemas e madrigais, levando-a a conquistar prêmios em países como Bélgica e Holanda. Em 1988, sua dedicação ao instrumento foi coroada com a aprovação para a Orquestra Sinfônica de Goiás, onde atuou por anos.

Contribuição literária e o hino da Aflag

Como poetisa, Sílvia Rodrigues deixou marcas profundas na literatura regional, sendo referenciada em importantes obras de mapeamento cultural. Sua obra Madrugada, publicada em 1968, exemplifica uma poética voltada à introspecção e à busca pela transcendência. Além disso, ela é a autora da letra do hino da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás (Aflag), intitulado “Mulheres de Azul”, que celebra a memória e o papel das mulheres nas artes, com melodia composta por Maria Lucy da Veiga Teixeira.

Ativismo cultural e memória

A participação de Sílvia em instituições como a União Brasileira de Escritores-Seção Goiás e a Aflag reforça seu papel como articuladora cultural. Sua trajetória, analisada por Elizabeth Abreu Caldeira Brito, revela uma mulher que soube integrar a atuação pública com a sensibilidade artística. Entre seus trabalhos, destacam-se os livros Madrugada (1968), além dos inéditos Convite à Poesia (1970) e Laços de Fita (1980), que compõem um legado de resistência e criatividade.

Fonte: jornalopcao.com.br

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