Representatividade feminina na política goiana enfrenta estagnação em 2026
A participação feminina na política de Goiás apresenta um cenário de contrastes após as eleições de 2026. Embora o histórico aponte um crescimento gradual desde 2018, a ocupação de cargos eletivos nos parlamentos estadual e federal permanece em patamares reduzidos, levantando questionamentos sobre a eficácia das atuais políticas de incentivo e cotas de gênero.
No pleito mais recente, cinco mulheres foram eleitas para a Câmara dos Deputados, o que corresponde a 29% da bancada goiana. Na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), o cenário é ainda mais restrito, com cinco parlamentares eleitas, representando apenas 12% do total de cadeiras disponíveis na casa.
Limitações das cotas de gênero e eficácia eleitoral
A análise dos números revela uma oscilação preocupante na representação federal. Em 2022, a bancada feminina na Câmara dos Deputados contava com seis representantes, número que sofreu uma redução em 2026. Para a advogada eleitoral Maíce Andrade, essa queda evidencia que a atual legislação de cotas não tem sido suficiente para garantir uma presença robusta de mulheres nos espaços de poder.
Atualmente, a legislação brasileira exige que os partidos reservem ao menos 30% das candidaturas para o gênero feminino. Segundo a especialista, o dispositivo tem sido utilizado, em muitos casos, apenas para cumprir uma exigência formal. “Isso, na prática, não vem elegendo mais mulheres”, afirmou Maíce Andrade em entrevista ao Jornal Opção.
Desafios no financiamento e estrutura partidária
Além da cota de candidaturas, o sistema eleitoral brasileiro prevê a destinação de recursos públicos específicos para campanhas femininas, incluindo verbas voltadas para mulheres e pessoas negras. Contudo, a aplicação desses valores enfrenta barreiras estruturais significativas dentro das legendas.
A advogada aponta que, na prática, os recursos destinados às candidaturas femininas muitas vezes são desviados de sua finalidade original. “A gente sabe que, na realidade, está pagando conta de homem”, pontua. Para a especialista, a simples obrigatoriedade de repasse financeiro não é capaz de superar a desigualdade se não houver uma fiscalização rigorosa sobre o uso das verbas.
Propostas para ampliar a presença feminina
Diante do cenário de sub-representação, o debate sobre novos mecanismos de inclusão ganha força. Uma das alternativas discutidas por especialistas é a implementação de cotas para os eleitos, e não apenas para o registro de candidaturas. O modelo, inspirado em países como México e Portugal, estabeleceria um patamar mínimo de ocupação das cadeiras por mulheres.
Outra frente de atuação defendida é o fortalecimento da participação feminina nas instâncias de decisão dos partidos. A proposta prevê a presença obrigatória de mulheres nos diretórios e na organização das legendas, visando consolidar as candidaturas desde a base, muito antes do início do calendário eleitoral.
Fonte: jornalopcao.com.br