Racismo atinge 20% das ofensas virtuais registradas pela Fifa durante a Copa do Mundo
Monitoramento revela escala de abusos nas redes sociais
Um relatório detalhado divulgado pela Fifa revelou a dimensão do assédio online direcionado a atletas e profissionais durante a última Copa do Mundo. Entre mais de 17 milhões de publicações analisadas, cerca de 240 mil foram classificadas como ofensivas. Destes registros, 20% possuíam teor racista, evidenciando um desafio persistente para a integridade dos participantes em grandes eventos esportivos.
O levantamento abrangeu o período entre 9 de junho e 20 de julho, monitorando plataformas como X, Instagram, Facebook e TikTok. A análise focou em contas oficiais de 48 seleções e em 1.606 indivíduos, incluindo jogadores, treinadores e membros da arbitragem. Segundo a entidade, 50,6% dos profissionais monitorados foram alvo de algum tipo de ataque durante o torneio realizado nos Estados Unidos, México e Canadá.
Tecnologia e revisão humana contra o discurso de ódio
Para combater o cenário, a Fifa utilizou ferramentas de inteligência artificial capazes de ocultar conteúdos indesejados. O sistema bloqueou automaticamente 9,2 milhões de postagens — o equivalente a 15% do total de mensagens veiculadas — antes mesmo da visualização pública. Além disso, 477.217 publicações foram submetidas a uma revisão humana rigorosa após serem sinalizadas pelos algoritmos.
A gravidade dos ataques também se manifestou em casos individuais extremos. Um jogador, cuja identidade foi preservada, foi alvo de mais de 10 mil mensagens abusivas, sendo 40% delas de cunho racista. O atleta também enfrentou episódios de homofobia, sexismo e transfobia, com um agravamento significativo após comentários discriminatórios feitos por uma figura pública, que viralizaram rapidamente.
Impacto nas seleções e o debate sobre a diversidade
O relatório aponta que a França foi a seleção mais atingida por ofensas raciais, que representaram 33% dos ataques direcionados à equipe. No caso da Inglaterra, o somatório de ofensas racistas e xenofóbicas atingiu 21%. Em ambos os cenários, os agressores questionavam a composição multicultural dos elencos, utilizando o ambiente digital para propagar discursos de exclusão.
Além do racismo, o monitoramento identificou outros tipos de violações, como alegações de corrupção contra a própria entidade (15%), ameaças violentas (14%) e ataques xenofóbicos (12%). O presidente da Fifa, Gianni Infantino, reforçou que a entidade mantém o compromisso de proteger a comunidade do futebol contra o ódio digital, utilizando tecnologias avançadas para mitigar os danos à saúde mental dos atletas.
Fonte: tribunadoplanalto.com.br