Proibição de apostas online no Brasil impulsiona criação de 415 novos sites ilegais
A recente medida provisória que determinou a interrupção das atividades de plataformas de apostas online não autorizadas no Brasil gerou um efeito colateral imediato no ambiente digital. Dados da plataforma Bet Legal revelam que, logo após o anúncio da proibição, o país registrou a criação de 415 novos sites operando à margem da regulação oficial. O monitoramento aponta uma escalada rápida na oferta de jogos clandestinos em um curto intervalo de tempo.
Até as 18h de 25 de setembro de 2026, momento em que a restrição foi oficializada, o sistema identificava 295 domínios irregulares. Em menos de 48 horas, esse número saltou para 710, representando uma alta de 141%. O pico de novas páginas foi observado no dia 26 de setembro, quando 294 endereços foram colocados no ar, desafiando a nova diretriz governamental.
Crescimento do mercado clandestino após restrições
O avanço das plataformas informais levanta preocupações sobre a eficácia das medidas de controle. Especialistas do setor argumentam que a proibição, embora necessária para organizar o mercado, acaba por criar um vácuo que é rapidamente preenchido por operadores sem qualquer compromisso com leis de proteção ao consumidor ou recolhimento de tributos.
Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias), destacou que o cenário era previsível. Segundo ele, a medida impactou severamente as empresas que operavam dentro da legalidade e sob fiscalização, enquanto os sites clandestinos continuam a expandir sua oferta sem cumprir as exigências de jogo responsável, proteção a menores e transparência financeira.
Estratégias de bloqueio e fiscalização técnica
O Ministério da Fazenda informou que a atuação da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) tem focado na restrição técnica e no corte do fluxo financeiro dessas empresas. Em parceria com a Anatel, o governo já encaminhou o bloqueio de mais de 78 mil domínios desde o início de 2026, buscando reduzir o alcance das operadoras que ignoram as normas brasileiras.
A metodologia de monitoramento utilizada pela Bet Legal, em parceria com a Iron Security, cruza informações do Diário Oficial da União e notificações enviadas à Anatel. O sistema realiza checagens técnicas constantes, analisando a conectividade e a titularidade dos registros para classificar quais plataformas possuem outorga oficial, quais operam por decisão judicial e quais permanecem na ilegalidade.
Cronograma de encerramento das atividades
A determinação assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabeleceu um cronograma rigoroso para o encerramento das operações. Após a proibição de novas apostas em 25 de setembro, o governo fixou o dia 5 de outubro como prazo final para que usuários realizassem saques de saldos e para que as empresas retirassem publicidades e patrocínios.
O acesso às plataformas deve ser encerrado em 6 de outubro, dando início ao processo de consolidação de dados por CPF. Entre 9 e 14 de outubro, está prevista a devolução integral dos valores aos apostadores via sistema bancário, com a Caixa Econômica Federal assumindo a intermediação de eventuais pagamentos pendentes a partir de 14 de outubro.
Fonte: poder360.com.br