POLÍCIA

Paula Belmonte usa botina de Celina Leão para cobrar transparência sobre BRB e repasses

O simbolismo da botina no debate eleitoral

A candidata ao Governo do Distrito Federal, Paula Belmonte (PSDB), protagonizou um momento de forte apelo simbólico durante o último debate antes do primeiro turno, realizado na noite desta terça-feira (29). Ao exibir uma botina que recebeu de presente da governadora e candidata à reeleição Celina Leão (PP), a tucana utilizou o objeto para intensificar as cobranças sobre a gestão do Banco de Brasília (BRB) e questionar a origem de vultosos repasses financeiros envolvendo familiares da atual chefe do Executivo local.

A governadora Celina Leão optou por não comparecer ao evento da TV Globo, o que abriu espaço para que seus adversários, incluindo Leandro Grass (PT), Ricardo Cappelli (PSB) e Kiko Caputo (Novo), concentrassem críticas sobre a transparência do governo. Paula Belmonte aproveitou a ausência para declarar que a botina, enviada anteriormente como um gesto de provocação política, não substitui a necessidade de explicações sobre a condução da máquina pública e a divulgação das demonstrações financeiras do BRB.

Investigação sobre repasses de R$ 1,4 milhão

O centro da controvérsia reside em pagamentos realizados pela empresa Real JG Facilities à Faceng Engenharia, que totalizam R$ 1,4 milhão. Documentos fiscais apontam a emissão de 14 notas de R$ 100 mil cada, registradas entre maio de 2025 e junho de 2026. A Faceng Engenharia possui em seu quadro societário o marido da governadora, Fabrício Faleiro Ferreira, e sua filha, Bruna Victória Leão Machado de Araújo.

Embora os valores não representem um repasse direto do GDF para a empresa da família, a Real JG Facilities mantém contratos ativos com órgãos públicos do Distrito Federal, incluindo a Vice-Governadoria e a Secretaria de Economia. A relação contratual entre a empresa e o governo, somada aos pagamentos privados para a Faceng, motivou uma representação formal ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), assinada por diversos candidatos da oposição que buscam apurar a legalidade das transações.

Histórico de tensões e cobranças por transparência

A troca de farpas envolvendo a botina teve início em agosto de 2026. Após um debate realizado no dia 9 daquele mês, no qual Paula Belmonte pressionou por informações sobre o BRB, a governadora enviou o calçado como um presente irônico. A resposta de Paula Belmonte, na ocasião, foi de que o item não supria a demanda por transparência, reiterando o pedido para que a governadora colocasse o balanço do banco na rede.

A ausência de Celina Leão no debate final reforçou o tom crítico dos demais concorrentes. A governadora justificou sua falta alegando que seria alvo de ataques coordenados, mas a estratégia não impediu que o tema dos repasses e do BRB dominasse as discussões. A campanha da governadora e as empresas citadas permanecem com espaço aberto para manifestação sobre os fatos apresentados.

Fonte: jornalopcao.com.br

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