Governo Flávio Bolsonaro pode acelerar avanço de milícias, diz pesquisador
Um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) poderia acelerar a erosão das instituições brasileiras e fortalecer grupos criminosos como as milícias, segundo análise do jornalista Sérgio Ramalho. O pesquisador investiga as estruturas que permitem a essas organizações controlar territórios, explorar comunidades e transformar poder territorial em domínio político por meio da influência de agentes públicos.
Essa percepção resulta de seu trabalho sobre a trajetória do ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, apontado como chefe do Escritório do Crime e associado à contravenção e às milícias no Rio de Janeiro. A investigação foi condensada no livro Decaído, lançado em 2024 pela Editora Matrix, que detalha a transição entre a estrutura policial e o crime organizado.
Impacto institucional e conexões políticas
A obra evidencia como Nóbrega transitou entre a polícia e o crime, aproximando-se da máfia do jogo do bicho e de integrantes da família Bolsonaro, incluindo Flávio. Conforme aponta a pesquisa, o período em que o ex-policial permaneceu foragido coincidiu com marcos de seletividade em investigações públicas.
Para o especialista, o bolsonarismo busca a corrosão do Estado a partir de suas próprias estruturas. Episódios passados demonstram como ameaças e interferências em órgãos de fiscalização podem beneficiar diretamente associações criminosas e enfraquecer o combate a atividades ilegais em regiões vulneráveis.
Histórico de gabinetes e investigações
Um dos pontos destacados na trajetória política envolve o esquema de desvio de salários no antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Na ocasião, funcionárias nomeadas incluíam familiares diretos de Adriano da Nóbrega.
Além das nomeações, registros apontam que o parlamentar propôs homenagens ao ex-capitão na Alerj. As conexões entre mandatos políticos e agentes expulsos de corporações policiais revelam a proximidade entre esferas de poder e o crime paramilitar.
Ameaça à segurança pública e expansão territorial
O avanço das milícias não se restringe ao controle armado de comunidades, mas expande-se para monopólios de serviços essenciais e infiltração em instâncias judiciais. O pesquisador alerta que a continuidade dessa lógica política tende a tornar as forças policiais mais vulneráveis à corrupção.
A proteção da população e a garantia da ordem pública exigem instituições fortalecidas e independentes. O enfraquecimento deliberado dos órgãos de controle, segundo a análise, amplia os riscos de aprofundamento da insegurança social em todo o país.
Fonte: cartacapital.com.br