PM apreende quase R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo escondido em porta-malas em Goiás
A Polícia Militar de Goiás, por meio de uma equipe especializada do Comando de Operações de Divisas (COD), realizou uma apreensão de grande vulto durante uma fiscalização de rotina em território goiano. Um motorista, cuja identidade não foi revelada pelas autoridades, foi flagrado transportando a quantia exata de R$ 1.188.950 em espécie. O montante estava acondicionado de forma improvisada no compartimento de bagagens do veículo.
A ocorrência ganhou contornos de mistério após o condutor apresentar informações desencontradas aos agentes. A falta de comprovação legal sobre a procedência de uma cifra tão elevada em dinheiro vivo acionou os protocolos de combate a crimes financeiros e lavagem de capitais, resultando na condução imediata do indivíduo e dos valores para a delegacia competente.
Abordagem do COD revela fortuna em caixas de papelão
A interceptação ocorreu durante um patrulhamento estratégico realizado pelo COD, unidade da PMGO focada no combate a crimes transfronteiriços e circulação de ilícitos nas divisas do estado. Ao solicitarem a parada de um veículo de passeio, os policiais notaram um comportamento excessivamente nervoso por parte do motorista, o que motivou uma busca minuciosa no interior do automóvel.
Ao abrirem o porta-malas, os militares localizaram duas caixas de papelão que, à primeira vista, não levantavam suspeitas. No entanto, ao verificarem o conteúdo, depararam-se com diversos maços de cédulas de Real, organizados em pilhas de diferentes valores. A contagem oficial, realizada posteriormente sob supervisão, confirmou que o valor beirava os R$ 1,2 milhão.
Contradições do motorista sobre a origem do dinheiro
Durante o interrogatório preliminar no local da abordagem, o homem apresentou versões contraditórias que aumentaram a suspeição dos agentes. Inicialmente, ele não soube explicar a origem do recurso. Em um segundo momento, tentou justificar a posse do valor, mas não apresentou qualquer documento fiscal, extrato bancário ou contrato que legitimasse o transporte de tamanha quantia em espécie.
O ponto mais crítico do depoimento foi quando o motorista afirmou desconhecer quem seria o destinatário final da fortuna. Segundo o relato colhido pelos policiais, ele teria apenas a missão de levar o dinheiro até um ponto específico, sem saber para quem os valores seriam entregues. Essa narrativa é comum em esquemas de transporte de valores para organizações criminosas, onde o transportador possui informações limitadas para evitar o rastreamento da cadeia de comando.
Encaminhamento para a Polícia Civil e investigação de lavagem
Diante da ausência de lastro legal e das declarações inconsistentes, a ocorrência foi encaminhada para a Polícia Civil de Goiás. O dinheiro foi apreendido e depositado em uma conta judicial, conforme prevê a legislação brasileira para casos de suspeita de lavagem de dinheiro e ocultação de bens. O veículo também foi retido para perícia técnica.
A investigação agora busca identificar a rota percorrida pelo motorista e utilizar ferramentas de inteligência para descobrir a verdadeira origem do montante. No Brasil, o transporte de grandes quantias em espécie não é crime por si só, mas a incapacidade de provar a origem lícita pode configurar delitos previstos na Lei 9.613/98. O trabalho conjunto entre a Polícia Militar de Goiás e os órgãos fazendários será fundamental para esclarecer se o valor possui ligação com o tráfico de drogas, corrupção ou sonegação fiscal.
O Comando de Operações de Divisas reforçou que intensificará as fiscalizações em rodovias estaduais e federais que cortam o estado, visando asfixiar o braço financeiro de grupos criminosos que utilizam as estradas goianas como corredor para o escoamento de recursos ilícitos.
Fonte: maisgoias.com.br