POLÍCIA

Goiás lidera corrida global por terras raras com investimentos bilionários

Goiás consolidou-se como um epicentro estratégico na disputa internacional por terras raras, minerais indispensáveis para a fabricação de veículos elétricos, tecnologias de defesa e sistemas de energia renovável. O estado abriga hoje a operação comercial mais avançada do Brasil, situada em Minaçu, além de diversos projetos que atraem centenas de milhões de dólares em aportes voltados à pesquisa, extração e beneficiamento desses elementos.

Um levantamento recente identificou pelo menos 18 empresas estrangeiras com processos minerários ativos no território brasileiro, totalizando cerca de US$ 3,5 bilhões em investimentos projetados e já realizados. Nesse cenário, Goiás ganha destaque pela presença da mina Serra Verde, em Minaçu, e pelo empreendimento da canadense Aclara, em Nova Roma, que reforçam a posição do estado como peça-chave para grupos internacionais que buscam reduzir a dependência da China no fornecimento global.

Minaçu abriga a operação mais avançada do país

A mina Serra Verde, localizada em Minaçu, tornou-se a principal referência nacional no setor ao iniciar sua produção comercial em 2024, após obter licenciamento ambiental no ano anterior. O complexo produz um concentrado de elementos essenciais para a fabricação de ímãs de alto desempenho, componentes vitais para motores elétricos e turbinas eólicas.

Em agosto de 2026, a operação foi adquirida pela americana USA Rare Earth, em uma transação que consolidou mais de US$ 1 bilhão em investimentos no projeto. A estrutura goiana integra mineração e processamento, entregando Carbonato Misto de Terras Raras, embora o beneficiamento final para a separação dos elementos ainda dependa de futuras definições estratégicas e viabilidade técnica.

Nova Roma e o potencial de expansão industrial

O projeto da canadense Aclara em Nova Roma projeta investimentos da ordem de US$ 781 milhões, consolidando o nordeste goiano como uma nova fronteira mineral. A empresa mantém, adicionalmente, uma planta-piloto em Aparecida de Goiânia, focada no desenvolvimento de tecnologias de processamento que serão fundamentais para a escalabilidade industrial do empreendimento.

O modelo de negócio adotado pela companhia prevê a realização de etapas iniciais de processamento no Brasil, enquanto as fases de separação e fabricação de ligas metálicas estão vinculadas a instalações nos Estados Unidos. Essa divisão de tarefas ilustra o desafio central do setor no país: evoluir da simples extração para a agregação de valor tecnológico em solo nacional.

Nova política nacional busca ampliar a industrialização

O governo federal busca alterar esse panorama por meio da recém-sancionada Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A legislação prevê a criação de um fundo garantidor com aporte de até R$ 2 bilhões, além de créditos fiscais que podem chegar a R$ 1 bilhão anual entre 2030 e 2034, visando estimular a instalação de plantas de refino e transformação no Brasil.

Conforme apurado pela Folha de S.Paulo, o Ministério de Minas e Energia aposta em parcerias tecnológicas para que as empresas instaladas no país possam integrar a cadeia de valor de forma mais profunda. O objetivo é que o Brasil deixe de ser apenas um exportador de matéria-prima bruta e passe a dominar etapas industriais complexas.

Disputa internacional e consolidação de mercado

A movimentação em Goiás ocorre em paralelo a uma onda de aquisições no setor mineral brasileiro. Recentemente, a australiana Lynas adquiriu a Meteoric Resources por cerca de R$ 3,5 bilhões, focando em ativos no sul de Minas Gerais, o que demonstra o apetite estrangeiro pelo potencial geológico do país.

Embora o volume de capital anunciado seja expressivo, o sucesso desses projetos depende de uma série de fatores, incluindo licenciamento ambiental, estudos de viabilidade e infraestrutura logística. O desafio para os próximos anos será transformar esse interesse financeiro em uma base industrial sólida, capaz de gerar empregos qualificados e soberania tecnológica para o Brasil.

Fonte: jornalopcao.com.br

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