Esportes

Membros brasileiros da Academia de Hollywood alertam para riscos à democracia no país

Um grupo de 66 profissionais brasileiros que integram a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Los Angeles, responsável pela premiação do Oscar, divulgou uma carta aberta neste sábado (10.out.2026). O documento expressa profunda preocupação com o cenário político nacional e clama por atenção internacional ao segundo turno das eleições presidenciais, disputado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o candidato do PL, Flávio Bolsonaro.

Ameaças institucionais e o futuro da Constituição

Entre os pontos de maior inquietação dos artistas, que incluem nomes como Alice Braga, Fernando Meirelles, Kleber Mendonça Filho, Petra Costa e Wagner Moura, está a proposta de Flávio Bolsonaro de reescrever a Constituição de 1988. Segundo os signatários, a intenção de elaborar uma nova Carta Magna por meio de um Congresso de maioria de extrema direita representa um risco direto à estabilidade democrática.

O texto também estabelece uma conexão crítica entre a plataforma do candidato e a situação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Atualmente preso por tentativa de golpe de Estado — que, conforme apurações, incluía planos de assassinato contra o presidente Lula e o vice Geraldo Alckmin —, o ex-mandatário é alvo de uma promessa de anistia imediata caso o filho vença o pleito.

Interferência estrangeira e distorções digitais

A carta aponta indícios de interferência externa no processo eleitoral brasileiro. Os profissionais citam uma reportagem do jornal The Guardian sobre o repasse de US$ 1 milhão pelo governo dos Estados Unidos a um programa voltado ao combate à suposta censura no Brasil, verba que teria como alvo decisões do Supremo Tribunal Federal.

Além disso, o grupo denuncia possíveis distorções no alcance de conteúdos políticos em plataformas da Meta. Relatos indicam quedas de visibilidade em perfis oficiais e dificuldades de impulsionamento, enquanto sites estrangeiros estariam promovendo anúncios favoráveis a Bolsonaro em troca de criptomoedas. A Polícia Federal segue investigando suspeitas de compra de votos em regiões rurais.

Impactos sociais e o setor audiovisual

Os signatários relembram as mais de 600 mil mortes ocorridas durante a pandemia de covid-19, citando denúncias enviadas ao Tribunal Penal Internacional contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por omissões governamentais. O grupo alerta que a adoção de políticas de austeridade, inspiradas no modelo argentino de Javier Milei, pode agravar a crise social e o retorno do país ao Mapa da Fome da ONU.

Para a classe artística, a defesa da democracia é indissociável da sobrevivência do setor cultural. O documento recorda o período de fechamento do Ministério da Cultura e a paralisação de fundos setoriais no governo anterior, manifestando o temor de que o cenário de censura e desmonte institucional se repita caso as propostas de Flávio Bolsonaro sejam implementadas.

Fonte: poder360.com.br

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