Política

Marconi Perillo propõe ajuste fiscal robusto e aposta nas redes sociais para alcançar jovens

A proposta de priorizar despesas para enfrentar a situação fiscal de Goiás e a aposta nas redes sociais para ampliar o alcance de sua campanha entre os jovens foram alguns dos principais pontos apresentados pelo ex-governador Marconi Perillo, candidato ao governo de Goiás pelo PSDB, durante participação, nesta quarta-feira (19), na série de sabatinas do jornal A Redação. Na entrevista, realizada na sede do AR, em Goiânia, o candidato tratou das prioridades que pretende adotar caso seja eleito, reconheceu que boa parte do eleitorado jovem não conhece sua trajetória em mandatos anteriores e apontou a internet como caminho para reverter esse cenário.

Questionado sobre como pretende equilibrar as contas caso seja eleito, o candidato defendeu um modelo de gestão baseado na priorização de despesas. “Gestão, competência, boa equipe, eficiência, economia e prioridade. Vai ter que priorizar algumas coisas e não priorizar aquilo que é supérfluo ou aquilo que está tendo gastos exagerados”, declarou, citando como exemplo a variação no custo do quilômetro de rodovia construída no Estado ao longo dos anos.

Perillo apresentou uma projeção própria para o resultado fiscal do Estado neste ano, acima da estimativa oficial. “Nós tivemos um superávit em 2024 de 2,3 bilhões e tivemos um déficit, ou seja, um rombo de 4,5 bilhões em 2025. A projeção que eu tenho é de rombo de mais de 7 [bilhões]”, afirmou.

Dívida com a União e o Propag

Questionado sobre a relação de Goiás com a dívida junto à União, o candidato afirmou que, durante seus mandatos anteriores, o Estado manteve o pagamento regular do serviço da dívida. “Eu pagava na minha época, agora já no final, 300 milhões de serviços, amortização de juros da dívida por mês, rigorosamente em dia. Se a gente for atualizar o que foi pago nos meus quatro governos, seria uma fortuna”, disse, acrescentando que o montante pago em dívidas herdadas de gestões anteriores somaria, em valores da época, cerca de R$ 40 bilhões.

O candidato também comparou a relação entre dívida e receita do Estado no início e no fim de suas gestões. “Eu peguei o Estado em 99 com a pior relação dívida-receita do país, eram precisos quase quatro anos de receita total do governo para pagar a dívida externa. Eu quitei com menos de um ano”, afirmou.

Sobre a adesão de Goiás ao Programa de Acompanhamento e Transparência Fiscal (Propag), programa federal de renegociação de dívidas estaduais, Perillo classificou o instrumento como vantajoso para os Estados: “o Propag é uma benção, é um benefício extraordinário para os estados. Eu queria ter o Propag no meu primeiro dia do primeiro governo”.

Marconi Perillo destacou pontos relativos às contas públicas de Goiás. Foto: Sabrina Schreiner/ Jornal A Redação.
Cinco prioridades

O candidato elencou cinco áreas que pretende priorizar em um eventual governo. “Eu elevo cinco prioridades que são fundamentais para a vida do cidadão: primeiro, saúde; segundo, habitação — nenhuma família é feliz ou se sente confortável sem uma casa para morar; terceiro, emprego; quarto, educação; e segurança pública”, afirmou. Perillo ressalvou que outras áreas, como cultura, meio ambiente, saneamento e infraestrutura, também são importantes e receberão a devida atenção.

Incentivos fiscais e fim dos benefícios tributários

Sobre o desenvolvimento econômico do Estado, Perillo tratou do fim gradual dos incentivos fiscais previstos pela reforma tributária, hoje um dos pilares da atração de indústrias para Goiás. Segundo o candidato, a articulação política em torno do tema teria sido insuficiente nos últimos anos. “O governo do Estado não articulou, como eu fiz na minha época — visitei 18 governadores para nós convalidarmos os incentivos fiscais. Hoje, o próximo líder de Goiás vai ter que fazer uma articulação nacional para alterar a reforma tributária, porque os incentivos começam a morrer a partir do ano que vem”, afirmou, citando 2032 como o prazo final de extinção dos benefícios.

O candidato relacionou o fim dos incentivos a um risco de fuga de indústrias para outras regiões, favorecidas por rotas comerciais mais curtas ou por regimes tributários especiais, como a Zona Franca de Manaus.

“Sem incentivos fiscais não há competitividade em estados que estão mais distantes dos grandes mercados consumidores e dos grandes portos. Se nós não tivermos incentivos, a indústria não vai só deixar de chegar aqui, ela vai embora daqui”, disse, mencionando relatos de empresários avaliando a transferência de operações para o Paraguai, ou para estados com regimes fiscais mais vantajosos.

Perillo também defendeu que o financiamento de novas frentes de desenvolvimento — como inteligência artificial, cidades tecnológicas e polos logísticos — dependerá cada vez mais de recursos do Tesouro estadual, diante da perspectiva de menor competitividade tributária: “por outro lado, nós vamos ter que financiar essa revolução tecnológica, esse desenvolvimento da inteligência artificial, das cidades tecnológicas, desses portos tecnológicos, com recursos do Tesouro. E aí é uma questão de gestão, de gerenciamento”.

Eficiência da máquina pública e revisão de contratos com OSs

Questionado sobre pontos de economia e eficiência na estrutura atual do governo estadual, Perillo classificou a gestão como pouco planejada. “Eu acho que o governo atual está muito analógico, apesar da propaganda. Eu acho que o governo atual não tem planejamento, não tem estratégia e nem foco”, disse, citando a área da saúde como exemplo de “precariedade”, com “hospitais lotados e pacientes aguardando exames nos corredores por dias.”

O candidato defendeu a informatização dos processos de diagnóstico como forma de agilizar atendimentos de urgência e emergência, citando um modelo adotado em seus governos anteriores. Sobre os contratos com Organizações Sociais (OSs) na saúde, Perillo não defendeu o fim do modelo, mas uma seleção mais rigorosa dos operadores.

“Eu defendo que todas as OSs que não sejam boas sejam afastadas do governo. Que só fiquem OSs boas, qualificadas e que realmente cumpram os protocolos, cumpram os contratos com o governo do Estado”, afirmou, citando “fila de cerca de 100 mil pessoas aguardando exames e cirurgias no Estado”. Como alternativa emergencial, o candidato afirmou que pretende contratar hospitais particulares para atender pacientes quando não houver vaga na rede pública ou filantrópica.

Marconi Perillo foi entrevistado pelo jornalista Samuel Straioto. Foto: Sabrina Schreiner/Jornal A Redação.
Ondas de desenvolvimento e revolução tecnológica

Perillo situou sua proposta de desenvolvimento dentro do que chamou de sucessivas “ondas” históricas do Estado — da construção de Goiânia e Brasília à modernização do Cerrado e à industrialização, período em que afirma ter atuado diretamente como governador. Para ele, a próxima etapa seria uma “revolução tecnológica”, com a criação de polos de inteligência artificial e cidades tecnológicas ancoradas em universidades públicas e institutos de pesquisa, em parceria com a iniciativa privada.

Como parte do financiamento dessa proposta, o candidato afirmou pretender restabelecer o percentual de recursos hoje destinado à Universidade Estadual de Goiás (UEG) e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), que, segundo ele, foi reduzido pela gestão atual: “eu vou voltar aos 2% da educação, da UEG, que o governo tirou, e parte desse dinheiro vai ser para bancar essa estrutura que a gente vai começar a criar”.

O candidato citou como exemplo de investimento anterior a criação do primeiro curso de inteligência artificial do país, na Universidade Federal de Goiás (UFG), viabilizado por aporte da Fapeg durante seu governo. “O Estado de Goiás, o meu governo, através da FAPEG, investiu 5 milhões de reais para que esse polo, que hoje tem o primeiro curso de inteligência artificial no país, pudesse existir hoje”, afirmou, classificando a UFG atualmente como o maior polo de desenvolvimento tecnológico do Centro-Oeste.

Perillo também defendeu investimentos em infraestrutura digital — como redes de fibra óptica e capacidade energética — como pré-condição para atrair data centers e novas tecnologias ao Estado, citando a dependência da agropecuária e das agroindústrias goianas de conectividade e da necessidade de ampliar a oferta de energia para viabilizar esses investimentos. Segundo ele, o modelo previsto envolveria parcerias entre o governo estadual, instituições de ensino superior, iniciativa privada e órgãos federais de fomento tecnológico.

Marconi Perillo destacou que pretende usar redes sociais para se apresentar aos jovens. Foto: Sabrina Schreiner/ Jornal A Redação.
Estratégia digital e apresentação ao eleitor

Perillo, que já governou Goiás por quatro mandatos, afirmou apostar nas redes sociais como principal estratégia para se apresentar ao público que não viveu suas gestões anteriores, sobretudo os eleitores mais jovens. “Essa campanha me dá a oportunidade de falar com todos os públicos, especialmente com os mais jovens. Na última semana eu tive um acesso de 2,8 milhões nos meus vídeos”, afirmou, avaliando que a internet oferece maior equilíbrio entre candidatos do que o tempo de televisão na propaganda eleitoral.

O candidato reconheceu que grande parte desse público jovem desconhece sua atuação em mandatos anteriores. “O público jovem não me conhece, não sabe do meu trabalho na cultura, no meio ambiente, nas outras áreas todas: segurança, saúde, educação, infraestrutura, modernização do Estado, estruturação do Estado”, disse, defendendo que a internet permite alcançar diretamente esse eleitorado sem depender do tempo de televisão: “hoje o papo é a internet, é o papo reto, é direto com o celular”, argumentou.

Segundo o candidato, o tempo de TV será usado principalmente como chamada para conteúdos mais longos publicados nas redes: “vai ser o tempo que eu vou fazer uma elaboração, fazer uma apresentação do que eu vou colocar na internet. Eu vou dizer: assista agora aqui, clique agora no Instagram, você vai ver o programa que não pode ser veiculado por falta de tempo”. Perillo também destacou não ter, nesta candidatura, uma coligação ampla de partidos, o que segundo ele lhe dá liberdade para compor equipe técnica sem acordos políticos: “eu vou ter liberdade para montar uma equipe enxuta, uma equipe de alto nível, uma equipe qualificada, que vai me ajudar a enfrentar os desafios”.

Questionado sobre como pretende reconstruir sua imagem perante o eleitorado que já o conhece, o candidato apontou a própria dinâmica da campanha eleitoral como espaço para isso. “A campanha possibilita sabatinas como estas, para que eu possa falar livremente de todos os temas. Possibilita entrevistas aos mais diversos órgãos de comunicação, podcasts, blogs, e possibilita também os debates, o confronto entre os candidatos”, afirmou, avaliando que esses espaços permitem ao eleitor formar um juízo mais direto sobre os candidatos ao longo da campanha.

Vice na chapa

Marconi Perillo terá como candidata a vice Jacqueline Freitas Nascimento Zaiden, de 58 anos, natural de Rio Verde, no sudoeste de Goiás. Empresária, produtora rural e liderança classista, Jacqueline é filha do ex-deputado federal Iturival Nascimento e sobrinha do ex-prefeito de Rio Verde Iron Nascimento. Ao longo da carreira, presidiu a Associação Comercial, Industrial e de Serviços (Acirv) e ocupou cargos de direção na Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja), acumulando experiência na representação empresarial e do setor produtivo.

Acompanhe a agenda

Série de entrevistas com os candidatos ao governo do estado vai até a próxima sexta (21).
Nesta quinta-feira (20), o entrevistado será o candidato Daniel Vilela, do MDB; fechando a série de entrevistas, na sexta-feira (21), será a vez do candidato do PL, Wilder Morais.

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