POLÍCIA

Júri popular julga policiais acusados pela morte do advogado Davi Sebba em Goiânia

Após 14 anos de tramitação judicial, teve início nesta quinta-feira, 1º, o julgamento de três policiais militares acusados do homicídio do advogado Davi Sebba Ramalho. O crime ocorreu em 5 de julho de 2012, no estacionamento de um supermercado situado na região da Avenida T-9, em Goiânia. O caso, que se estende por mais de uma década, é marcado por controvérsias sobre a dinâmica da ação policial e a integridade das provas colhidas.

Os réus que enfrentam o Tribunal do Júri são o tenente Ednailton Pereira de Souza, o sargento Luiz Frederico de Oliveira e o soldado Jonathas Atenevir Jordão. A sessão, que se estendeu para a sexta-feira, 2, busca definir a responsabilidade dos agentes na morte do advogado, que tinha 38 anos à época dos fatos. O processo, que passou por diversas etapas investigativas e mudanças de versões, é acompanhado de perto por familiares da vítima e dos acusados.

Desdobramentos do caso Davi Sebba e a busca por justiça

Para a família de Davi, a realização do júri representa um marco fundamental. Pedro Ivo, irmão da vítima, esteve presente no tribunal e destacou o impacto emocional causado pela perda, que afetou diretamente o filho do advogado, Gabriel Davi, nascido na mesma noite do crime. Segundo o relato, o trauma gerou consequências severas no desenvolvimento da criança ao longo dos anos.

Embora defenda o direito constitucional à defesa para os acusados, Pedro Ivo manifestou a expectativa por uma condenação. Em declaração ao Jornal Opção, o familiar classificou o episódio como uma execução sumária, reforçando o desejo por uma sentença máxima. Em contrapartida, a defesa dos policiais sustenta a tese de inocência, argumentando que os agentes estavam em serviço no momento da ocorrência.

Divergências periciais e a dinâmica do crime

Um dos pontos centrais do julgamento refere-se à arma encontrada no veículo da vítima. Testemunhas relataram que o objeto foi apresentado por um perito no banco do passageiro logo após o impacto do carro contra uma pilastra. Contudo, questionamentos sobre a posição do revólver calibre .38 foram levantados, visto que a dinâmica da colisão, teoricamente, deslocaria objetos soltos no interior do automóvel.

O delegado da Polícia Federal Bruno Pereira Pinto Gama, que atuou na investigação, corroborou a estranheza sobre a posição da arma. Segundo o depoimento, laudos indicaram que outros itens no carro foram movidos com o impacto, enquanto a arma permaneceu em uma disposição considerada incompatível com a física do acidente. Além disso, o delegado apontou dificuldades na obtenção de imagens de segurança do supermercado, que poderiam esclarecer as circunstâncias do ocorrido.

Falhas na investigação e ausência de vestígios

O depoimento do delegado revelou que, apesar da existência de câmeras no estacionamento, as imagens disponibilizadas pelo estabelecimento foram limitadas às entradas e cancelas. Bruno Gama confirmou que as gravações obtidas apresentavam divergências em relação aos relatos iniciais dos investigados, embora não tenha detalhado todas as inconsistências durante a sessão.

Outro elemento de peso apresentado aos jurados foi o resultado negativo do exame residuográfico nas mãos de Davi, que não detectou resíduos de pólvora. O delegado também pontuou a ausência de impressões digitais da vítima nos objetos analisados. Adicionalmente, a suposta droga que teria motivado a abordagem policial só foi localizada no estacionamento três dias após o crime, por um funcionário do estabelecimento, o que levanta questionamentos sobre a cadeia de custódia das provas.

Fonte: jornalopcao.com.br

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