Nova inteligência artificial mapeia genes virais com alta precisão
Pesquisadores desenvolveram um programa baseado em inteligência artificial para localizar genes de bacteriófagos, que são os vírus responsáveis por infectar bactérias. Batizada de Pelican, a ferramenta foi testada em 6 genomas virais já conhecidos pela ciência e demonstrou eficiência expressiva no reconhecimento genômico.
O sistema conseguiu encontrar, em média, 98% dos genes presentes nessas amostras, superando o desempenho de outros softwares avaliados. O avanço científico foi conduzido no Cepid B3, um dos centros de pesquisa apoiados pela Fapesp no estado de São Paulo.
Desafios na anotação de bacteriófagos
Identificar os genes é uma etapa fundamental da anotação genômica, processo que permite mapear sequências no DNA e investigar suas funções biológicas. Nos bacteriófagos, essa tarefa apresenta grande complexidade porque os genes costumam ser menores e podem se sobrepor, dificultando a delimitação exata entre eles.
A maioria dos programas tradicionais foi criada originariamente para analisar bactérias e não possui adaptações para as peculiaridades virais. Para superar esse obstáculo, o Pelican combina predições de ferramentas distintas e recorre a métodos estatísticos e aprendizado de máquina.
Descoberta de genes ocultos e estruturas proteicas
Durante os testes com genomas de referência, o programa apontou regiões adicionais de DNA que não constavam nas listas oficiais. Para verificar a validade dessas sugestões, a equipe utilizou modelos computacionais para estimar a estrutura tridimensional das proteínas geradas por essas sequências.
A análise apontou que mais de 70% das regiões adicionais dariam origem a proteínas com estrutura plausível. Os autores ressaltam, contudo, que esses potenciais novos candidatos ainda precisam passar por validações experimentais adicionais.
Aplicações práticas na medicina e na agricultura
O aprimoramento na identificação genética amplia a compreensão sobre os mecanismos de infecção, o ciclo de vida e as estratégias de defesa desses microrganismos. Esse conhecimento detalhado fomenta estudos voltados à fagoterapia, estratégia promissora no combate a infecções bacterianas resistentes.
O software está disponível de forma gratuita na plataforma GitHub. Os detalhes completos da pesquisa foram divulgados na revista BMC Bioinformatics, consolidando o esforço contínuo do IQ-USP na inovação bioinformática.
Fonte: poder360.com.br