Fotógrafo cego mantém a arte de capturar imagens através de descrições sensoriais
A superação de limites físicos encontrou na fotografia uma nova forma de expressão para Luciano Ambrósio. Aos 57 anos, o profissional, que perdeu a visão, utiliza o apoio fundamental de sua esposa para continuar produzindo imagens, transformando descrições verbais em composições visuais. Segundo ele, o processo criativo ocorre de maneira singular: “eu enxergo pelo corpo”, afirma, destacando a conexão sensorial que mantém com o mundo ao seu redor.
A parceria como lente para a criatividade
O trabalho de Luciano não é solitário. A colaboração com a esposa permite que ele compreenda o ambiente, as cores e a iluminação de cada cenário antes de realizar o disparo da câmera. Essa dinâmica de trabalho exige uma comunicação precisa e detalhada, onde o olhar dela serve como uma extensão da percepção do fotógrafo, permitindo que ele mantenha sua identidade artística mesmo diante da cegueira.
O lançamento da obra O Meu Olhar
Como parte de sua trajetória de reinvenção, o autor prepara o lançamento do livro O Meu Olhar. A obra reúne aproximadamente 100 poemas, que refletem sua visão de mundo e sua sensibilidade aguçada, além de incluir dez fotografias selecionadas com o auxílio de terceiros. O projeto marca um momento importante em sua carreira, consolidando a fotografia como uma ferramenta de comunicação que transcende a visão biológica.
A tecnologia e a percepção sensorial
Além do suporte humano, a utilização de recursos tecnológicos, como aplicativos de descrição de cenários, tem sido um diferencial para que Luciano continue a atuar no campo da fotografia. Essas ferramentas auxiliam na interpretação do espaço, permitindo que ele tome decisões técnicas sobre o enquadramento e a composição. Para mais informações sobre como a tecnologia assistiva auxilia pessoas com deficiência visual, consulte o portal da Agência Brasil.
Fonte: maisgoias.com.br