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Vulnerabilidade na compra de fertilizantes coloca em risco a segurança alimentar brasileira

O Brasil, reconhecido mundialmente como uma potência agrícola, enfrenta um dilema estratégico que coloca em risco a sua segurança alimentar. Com uma dependência externa de fertilizantes que ultrapassou a marca de 88% em 2025, o país encontra-se em uma posição de vulnerabilidade sem precedentes entre os grandes produtores globais de alimentos. Essa fragilidade estrutural expõe a economia nacional a choques severos de oferta e a uma volatilidade constante nos preços dos insumos essenciais para o campo.

A situação é agravada por um cenário geopolítico instável. Conflitos em regiões estratégicas, como a Ucrânia e o Oriente Médio, restringiram a disponibilidade de matérias-primas fundamentais, incluindo o gás natural e o enxofre. Além disso, potências como Rússia e China, que figuram entre os maiores produtores mundiais, priorizaram o abastecimento interno, impondo restrições severas às exportações e pressionando ainda mais os custos logísticos e de produção.

Estratégias para reduzir a dependência de fertilizantes

Diante desse cenário, o Plano Nacional de Fertilizantes surge como uma diretriz vital, estabelecendo a meta ambiciosa de reduzir em 50% a dependência externa até 2050. Especialistas do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis) ressaltam que a soberania nacional está intrinsecamente ligada à capacidade de garantir insumos básicos para a manutenção da economia e da segurança da população.

A reativação de unidades industriais pela Petrobras em 2023, abrangendo polos na Bahia, Sergipe e Paraná, marcou um ponto de inflexão. Essas plantas operacionais possuem, juntas, capacidade para suprir 20% da demanda nacional de nitrogenados. O cronograma de expansão prevê ainda a conclusão da fábrica de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, para 2029, o que deve elevar a oferta interna em mais 15%.

Projetos e o futuro da produção nacional

O setor de fosfatados também apresenta movimentações importantes, com cinco projetos de iniciativa privada em desenvolvimento em estados como Minas Gerais, São Paulo, Pará e Paraná. A expectativa é que, uma vez operacionais, essas unidades reduzam a dependência externa desse insumo específico em 20%. No entanto, para os potássicos, o horizonte de curto prazo permanece sem previsões de aumento significativo na produção local.

Para garantir resultados sustentáveis, o Ineep e a FUP defendem que o fortalecimento da Petrobras na cadeia produtiva é indispensável. A estratégia envolve não apenas a ampliação da capacidade em fertilizantes de alta eficiência, mas também a inserção no mercado de misturas e o suporte direto à agricultura familiar, que é o pilar da segurança alimentar brasileira.

Soberania e inovação industrial

O caminho para a autonomia passa pela diversificação das fontes de importação e pelo investimento em tecnologias emergentes. O desenvolvimento de bioinsumos, remineralizadores e, futuramente, de fertilizantes sintéticos de nova geração, é visto como uma oportunidade para promover uma agricultura de baixo carbono. Mais do que uma política industrial, a redução da dependência externa é uma questão de segurança nacional que visa frear a expansão desordenada da fronteira agrícola.

Para aprofundar o entendimento sobre o setor, consulte os dados oficiais disponíveis em gov.br/agricultura. A implementação rigorosa de mecanismos de monitoramento e a governança eficiente do Plano Nacional de Fertilizantes serão os fatores decisivos para que o Brasil transforme sua vulnerabilidade atual em um modelo de resiliência produtiva.

Fonte: cartacapital.com.br

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