Banco Mundial articula pacotes de ajuda emergencial para até 40 países em crise
O Banco Mundial intensificou as tratativas com 30 a 40 nações para a estruturação de pacotes de assistência financeira emergencial. A medida visa mitigar os impactos severos causados pela instabilidade no setor energético e pela escalada de preços decorrente do conflito no Oriente Médio. O presidente da instituição, Ajay Banga, confirmou o andamento das negociações em entrevista concedida às vésperas das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, em Bangcoc, na Tailândia.
Pressão econômica sobre países em desenvolvimento
Embora a economia global tenha demonstrado resiliência inicial, impulsionada por investimentos em inteligência artificial e ajustes estratégicos no mercado de petróleo, o cenário atual apresenta novas vulnerabilidades. Nações em desenvolvimento enfrentam um ambiente de juros elevados e contas públicas fragilizadas, reflexos persistentes da pandemia de Covid-19 e do ciclo inflacionário desencadeado pela invasão da Ucrânia pela Rússia.
A alta nos custos de insumos essenciais, como diesel e fertilizantes, somada à iminente influência do fenômeno climático El Niño, agrava a situação fiscal desses países. Segundo Ajay Banga, a expectativa é que a demanda por recursos emergenciais cresça nos próximos meses, levando mais nações a buscarem apoio financeiro junto à instituição.
Capacidade de resposta e alocação de recursos
O Banco Mundial possui um arcabouço financeiro robusto para enfrentar o agravamento da crise. O suporte disponível compreende os US$ 25 bilhões iniciais destinados ao combate aos efeitos da guerra, somados a US$ 35 bilhões provenientes do redirecionamento de projetos já aprovados. Caso a conjuntura econômica se deteriore, a instituição sinaliza a possibilidade de elevar o montante total para até US$ 100 bilhões.
Esse volume superaria os US$ 70 bilhões desembolsados durante o período da pandemia. A estratégia de auxílio busca garantir que os países consigam honrar seus compromissos externos, considerando que as estimativas apontam para uma dívida de cerca de US$ 400 bilhões com credores externos em 2026, sendo que um terço desse valor é composto apenas pelo pagamento de juros.
Mobilização de capital privado e desafios regionais
Além dos recursos próprios, o Banco Mundial tem focado na atração de capital privado. No ano encerrado em junho, a instituição captou um recorde de US$ 112 bilhões, um salto significativo em relação aos US$ 69 bilhões do período anterior. Somados aos investimentos diretos, o montante total atingiu US$ 235 bilhões, com destaque para projetos em países de renda média-alta, como Brasil, Índia e Argentina.
Apesar do avanço, Ajay Banga reconhece que o capital privado ainda não flui com a mesma intensidade para economias menores. Para reverter esse quadro, o Banco Mundial planeja apresentar novas iniciativas voltadas a ampliar o acesso ao crédito para micro, pequenas e médias empresas, buscando equilibrar a distribuição de investimentos entre as diferentes regiões globais.
Fonte: poder360.com.br