POLÍCIA

Congresso da Bolívia nomeia procurador interino após prisão de Roger Mariaca

O Congresso da Bolívia oficializou, neste sábado, a nomeação de José Armando Urioste como procurador-geral interino do país. A decisão ocorre em um momento de profunda instabilidade institucional, desencadeada pela prisão de Roger Mariaca, que ocupava o cargo desde 2024 e foi detido na última quarta-feira sob graves acusações criminais.

A transição de comando foi viabilizada após uma sessão de emergência que se estendeu durante toda a madrugada. Para contornar o impasse jurídico, o Legislativo precisou alterar a legislação vigente, permitindo a suspensão imediata de um procurador-geral que enfrente acusações criminais e detenção preventiva. A medida foi sancionada pelo presidente Rodrigo Paz na noite de sexta-feira, pavimentando o caminho para a votação que confirmou o novo nome com 113 votos favoráveis.

Investigações sobre narcotráfico e corrupção

Roger Mariaca é alvo de um inquérito complexo que apura crimes de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e organização criminosa. As autoridades investigam a suspeita de que o ex-chefe do Ministério Público teria oferecido proteção ao narcotraficante uruguaio Sebastián Marset, figura capturada em março com o auxílio da agência antidrogas americana, a DEA.

O impacto da operação se estendeu para além da cúpula da instituição. Na mesma data da prisão de Mariaca, outras 13 pessoas foram detidas, incluindo procuradores e servidores públicos. Entre os episódios que marcaram a investigação, destaca-se a tentativa de retirada de 300.000 dólares escondidos em uma ambulância, valor que estava na residência do ex-procurador.

Desafios para a nova gestão do Ministério Público

José Armando Urioste, que possui um histórico consolidado como juiz e acadêmico no departamento de Beni, assume o posto com a missão de restaurar a credibilidade do órgão. Em declarações à imprensa local, o novo procurador reconheceu que a instituição enfrenta um cenário de desgaste severo, descrevendo-a como “maculada por atos de corrupção”.

Urioste enfatizou que sua gestão buscará o equilíbrio entre a investigação rigorosa e o respeito aos princípios jurídicos. “Vamos investigar. Eu sou contrário a fazer uma caça às bruxas. Considero que há um princípio de presunção de inocência, mas também existe o princípio de objetividade”, afirmou o novo interino ao jornal El Deber.

Contexto internacional e pressão diplomática

A crise institucional na Bolívia ocorre em um cenário de pressão internacional crescente. Washington retirou recentemente o visto de Mariaca e de outros altos funcionários e empresários de diversos países da região, incluindo Colômbia, Equador e Peru. A detenção do ex-procurador foi classificada pelo governo como o resultado de um trabalho investigativo minucioso e silencioso.

O governo de Rodrigo Paz destacou que a operação contou com a participação do Escudo das Américas, uma aliança regional voltada ao combate ao crime transnacional. Antes da nomeação de Urioste, uma tentativa do Ministério Público de empossar Luis Montaño como interino foi rejeitada pelo Executivo, que ameaçou processar o servidor por usurpação de funções.

Fonte: cartacapital.com.br

Botão Voltar ao topo