Cidades

CEI dos Fios Soltos pede indiciamento de presidente da Equatorial após morte de adolescente

A Comissão Especial de Inquérito (CEI) dos Fios Soltos, instaurada para investigar riscos elétricos em Goiânia, formalizou o pedido de indiciamento de Lener Silva Jayme, presidente da Equatorial Goiás. A medida aponta falhas graves de governança, omissão relevante e tolerância da concessionária com ocupações irregulares em sua rede de distribuição, culminando em uma recomendação de responsabilização criminal e administrativa que agora segue para análise do Ministério Público.

Busca por justiça e responsabilização no caso Nathaly Rodrigues

A decisão da comissão trouxe um alento à família de Nathaly Rodrigues, adolescente de 17 anos que faleceu em 23 de setembro de 2025 vítima de uma descarga elétrica. Daiane do Nascimento, mãe da jovem, declarou que o desdobramento representa um passo fundamental para que o caso não seja tratado como uma fatalidade. Para a família, a responsabilização dos gestores é o único caminho para assegurar que a perda da filha não fique impune.

O presidente da CEI, Coronel Urzêda, reforçou que o indiciamento é uma sugestão técnica enviada aos órgãos competentes. Durante os trabalhos, a comissão identificou contradições nos depoimentos prestados pelo executivo da Equatorial, especialmente no que tange ao suporte oferecido aos familiares da vítima. Segundo o parlamentar, a empresa falhou em prestar o auxílio jurídico, psicológico e financeiro que havia sido anteriormente alegado pela companhia.

Falhas estruturais e o papel da concessionária

O relatório final da CEI detalha que a morte de Nathaly ocorreu em uma via pública alagada, após contato com um cabo de alumínio energizado que se rompeu. A investigação concluiu que a Equatorial, como administradora da rede, negligenciou o ciclo de fiscalização, limitando-se a emitir notificações sem remover efetivamente os riscos. A empresa também teria evitado a retirada de fiação irregular sob o pretexto de não comprometer a continuidade dos serviços.

Além da distribuidora, o documento aponta a responsabilidade direta das operadoras de telecomunicações, que frequentemente deixam fiação ociosa ou desativada nos postes. A comissão destacou a proliferação de empresas clandestinas e a ausência de um controle rigoroso sobre as terceirizadas, que deixam restos de cabeamento expostos, elevando o perigo para a população de Goiânia.

Propostas para o ordenamento da fiação urbana

Como resposta aos problemas identificados, a CEI elaborou a minuta do Código Municipal de Ordenamento da Fiação Urbana – Nathaly Rodrigues do Nascimento. O projeto visa consolidar a legislação dispersa, estabelecendo protocolos permanentes de fiscalização e punição, além de definir fluxos de emergência claros. A proposta defende, ainda, a transição gradual para a fiação subterrânea em áreas estratégicas da capital.

O material coletado pela comissão foi encaminhado à Polícia Civil e ao Ministério Público para subsidiar inquéritos em curso. Paralelamente, foram solicitadas intervenções da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para apurar crimes de furto de energia e o exercício irregular de atividades por operadoras que operam sem a devida conformidade técnica. Mais informações podem ser consultadas no portal Jornal Opção.

Fonte: jornalopcao.com.br

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