Política

Brasília precisa olhar nos olhos do Brasil para construir o futuro

A primeira virada entre turnos de uma eleição presidencial brasileira não pode ser interpretada apenas como uma vitória nas urnas. O resultado exige mudar a maneira como o campo progressista compreende o País e aponta para a necessidade de o governo federal olhar nos olhos do Brasil para recuperar a esperança no futuro.

Não há mais espaço para uma política limitada ao tecnicismo administrativo ou à simples gestão do existente. A atuação popular e a disputa nas redes demonstraram capacidade de reação, mas as forças que ameaçam a democracia continuam organizadas e com acesso a recursos econômicos.

A soberania digital e o desafio das plataformas

As grandes empresas de tecnologia controlam infraestruturas fundamentais da comunicação e influenciam diretamente a opinião pública. Uma democracia dependente dessas plataformas para o debate público permanece vulnerável, exigindo que a soberania digital ocupe o centro de um projeto nacional de desenvolvimento.

O impacto das inovações no trabalho demonstra que o Estado não deve se limitar a regular os efeitos gerados pelo mercado tecnológico. A regulação isolada falha diante de corporações que adaptam suas regras conforme interesses econômicos próprios e privados.

Alternativas públicas para a nova economia do trabalho

Milhões de trabalhadores dependem de aplicativos que definem remunerações e concentram informações sem a devida contrapartida social. A criação de plataformas públicas de transporte e serviços surge como alternativa para transformar a lógica dominante.

  • Desenvolvimento de aplicativos sob controle público e em software aberto
  • Destinação da maior parte da tarifa diretamente para o trabalhador
  • Garantia de contribuições previdenciárias e seguro
  • Submissão da tecnologia à ampliação de direitos sociais

A ampliação da base social e o diálogo político

A virada eleitoral só se converterá em uma transformação histórica se alterar o horizonte político da esquerda. Isso exige superar posturas sectárias e construir pontes de diálogo com setores da sociedade que não votaram no projeto governista, mas rejeitam o extremismo.

A tarefa primordial consiste em ampliar a base social de um projeto verdadeiramente transformador. O país necessita recuperar a capacidade coletiva de imaginar um futuro diferente por meio de mobilização social e propostas concretas para a população.

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Fonte: cartacapital.com.br

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