POLÍCIA

Brasil vira a página e proíbe apostas esportivas e jogos online em todo o território nacional

A trajetória das apostas no Brasil chegou a um ponto de inflexão definitivo. Após oito anos de um ciclo marcado por autorizações, tentativas de regulamentação e fiscalização rigorosa, o governo federal determinou a proibição total da exploração, oferta e publicidade de apostas de quota fixa. A decisão, formalizada pela Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026, publicada na sexta-feira, 25, encerra um capítulo que transformou o mercado de jogos no país.

A medida abrange tanto o ambiente físico quanto o virtual, impactando diretamente apostas esportivas e jogos online. A determinação estende-se a concessões e autorizações emitidas por estados e pelo Distrito Federal, estabelecendo um período de transição para o encerramento das operações. Embora a MP possua força de lei imediata, o texto ainda será submetido à análise do Congresso Nacional, onde poderá sofrer alterações ou ser ratificado.

A trajetória da regulamentação e a guinada estatal

O processo teve início em 12 de dezembro de 2018, sob a gestão de Michel Temer, com a Lei nº 13.756, que criou a modalidade de aposta de quota fixa. Durante o governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022, o setor expandiu-se sem uma estrutura normativa completa, tornando-se onipresente em transmissões esportivas e uniformes de clubes de futebol. A falta de regras claras permitiu que empresas operassem sem licenciamento ou tributação específica.

Em 2023, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva buscou organizar o setor com a Lei nº 14.790, que incluiu os jogos online no mercado regulado. O ano de 2024 foi marcado pela estruturação da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) e pela definição de normas de prevenção à lavagem de dinheiro e proteção ao apostador. Em 1º de janeiro de 2025, o mercado federal entrou em operação plena, exigindo que plataformas autorizadas utilizassem o domínio “.bet.br”.

Impactos sociais e o fim das operações

O endurecimento do discurso governamental ao longo de 2026 foi motivado por preocupações crescentes com o endividamento das famílias e o aumento da ludopatia. A proibição imposta pela MP nº 1.394 visa estancar a exposição de grupos vulneráveis a esses mecanismos. O governo federal estabeleceu diretrizes claras para o encerramento das atividades, garantindo que apostas pendentes sejam liquidadas ou tenham os valores restituídos aos usuários.

Para assegurar o cumprimento da medida, o governo poderá acionar a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para bloquear o acesso a plataformas que persistam na oferta de apostas. Instituições financeiras também foram proibidas de processar transações destinadas ao setor, exceto para fins de devolução de saldo. A criação de um Comitê Interinstitucional de Fiscalização reforça a estratégia de erradicação da publicidade e da exploração ilegal em todo o país.

Fonte: jornalopcao.com.br

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