Banco da Inglaterra eleva taxa básica de juros para 4,00% ao ano
O BoE (Banco da Inglaterra) elevou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, passando de 3,75% para 4,00% ao ano. A medida, anunciada em 5.nov.2026, marca o primeiro aperto monetário promovido pela instituição desde agosto de 2023. A decisão do Comitê de Política Monetária foi aprovada por 8 votos a 1, refletindo a necessidade de conter pressões inflacionárias crescentes na economia britânica.
Segundo o banco central, a mudança responde ao prolongamento do conflito no Oriente Médio e a uma atividade econômica doméstica mais forte do que o esperado. A ata da reunião aponta que o PIB foi impulsionado pela demanda externa por exportações do Reino Unido e por investimentos em inteligência artificial. Para mais detalhes, consulte a íntegra oficial do documento.
Contexto geopolítico e inflação em alta
As pressões sobre os preços ao consumidor ganharam força nos últimos meses, impulsionadas principalmente pelo setor energético. Nos quinze dias úteis anteriores à deliberação, o petróleo Brent registrou média de US$ 108 por barril, superando em 38% a projeção anterior. Paralelamente, o gás natural no Reino Unido disparou para 216 pence por therm.
De acordo com o BoE, a inflação acumulada em 12 meses até setembro atingiu 3,5%, superando a meta oficial de 2,0%. Desse total, um ponto percentual decorre diretamente do encarecimento dos combustíveis e da energia, elevando o risco de repasses generalizados para os salários e produtos finais.
Cenários econômicos e divergências no comitê
A decisão não foi unânime dentro do colegiado monetário. A dirigente Catherine Mann votou por uma elevação mais agressiva de 0,50 p.p., o que teria levado os juros a 4,25% ao ano. O Relatório de Política Monetária desenha três panoramas distintos para os próximos trimestres:
- Cenário central: prevê preços de energia declinantes conforme curvas futuras, mas com efeitos secundários persistentes sobre os salários;
- Cenário adverso: contempla choques geopolíticos adicionais mantendo a energia cara e alimentando a inflação salarial;
- Cenário de demanda fraca: aponta desaceleração do PIB devido à renda comprimida e ao encarecimento das hipotecas.
Impactos no orçamento e no crédito
O comitê também avaliou os reflexos do Orçamento apresentado pelo governo britânico em 28 de outubro. A equipe técnica do banco estima que o pacote fiscal reduza o Índice de Preços ao Consumidor em 0,25 p.p. até o segundo trimestre de 2027, amortecendo parcialmente choques externos.
No mercado de crédito, os efeitos já são visíveis. As taxas de hipotecas fixas de dois anos subiram quase 50 pontos-base desde setembro, encarecendo o financiamento imobiliário para as famílias. O Comitê de Política Monetária voltará a se reunir em 17 de dezembro para reavaliar os rumos da economia nacional.
Fonte: poder360.com.br