Economia

Ajuste fiscal drástico e o risco de estelionato eleitoral no Brasil

Logo após a proclamação da vitória nas urnas, um coro de vozes influentes formado por banqueiros, economistas do mercado e executivos do sistema financeiro passou a exigir um ajuste fiscal urgente e drástico. Ceder a esse tipo de pressão pode significar a quebra de compromissos assumidos perante os eleitores durante a disputa eleitoral.

O modelo de ajuste defendido por esses setores prioriza a geração de superávit primário expressivo por meio de cortes profundos nos gastos públicos. No entanto, economistas apontam que a verdadeira anomalia da economia nacional reside na elevada taxa de juros praticada, e não em uma suposta emergência fiscal intransponível.

Os riscos de um choque fiscal na economia

A imposição de um ajuste rápido e de grande magnitude carrega o perigo real de empurrar o país para uma recessão. Com a atividade econômica já debilitada por custos financeiros elevados, um corte abrupto nos gastos primários tende a deprimir ainda mais o mercado e elevar o desemprego.

Além disso, metas excessivamente ambiciosas de superávit podem inviabilizar a manutenção de programas sociais essenciais, investimentos em saúde e educação, além de comprometer reajustes de salários e aposentadorias prometidos durante a campanha.

Alternativas para o ajuste fiscal

Especialistas defendem que o caminho ideal envolve uma transição gradual, combinando metas fiscais exequíveis com uma redução expressiva na taxa básica de juros. Medidas complementares, como o combate à sonegação fiscal e a revisão de incentivos direcionados a setores privilegiados, ajudariam a equilibrar as contas sem sacrificar a população de menor renda.

A reformulação do regime monetário e a contenção de despesas financeiras com a dívida pública representam alternativas viáveis para proteger o crescimento econômico. Dessa forma, é possível atender às necessidades de equilíbrio fiscal sem abandonar o compromisso com o desenvolvimento social.

Fonte: cartacapital.com.br

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