Adeus a Ronaldo Araújo, o produtor que marcou a história audiovisual de Goiás
A rotina matinal foi interrompida de maneira dolorosa no dia 21 de outubro, quando a notícia sobre a partida de Ronaldo Araújo, aos 72 anos, chegou por meio de mensagens compartilhadas entre antigos companheiros de jornada. Amigo de longa data e figura central na produção cultural e publicitária, ele deixa um legado de dedicação e ausência de vaidades que marcou gerações de profissionais.
Embora os caminhos tenham tomado rumos distantes desde 2011, as memórias de expedições e trabalhos intensos permaneceram vivas na lembrança daqueles que dividiram estúdios, redações e estradas ao longo de décadas de colaboração.
A grande expedição pelo Rio Araguaia e a cumplicidade na selva
Entre as muitas lembranças compartilhadas, destaca-se a viagem de duas semanas que navegou por mais de mil milhas náuticas ao longo da Ilha do Bananal. O objetivo inicial era realizar a pré-produção de um documentário sobre a extensão do Rio Araguaia, mas a convivência diária transformou o desafio profissional em uma experiência marcante de amizade.
Enquanto a equipe dividia tarefas nas praias desérticas, Ronaldo demonstrava uma habilidade ímpar para se aproximar das comunidades locais. Com autorização da Funai, ele rapidamente conquistava a simpatia dos moradores indígenas, distribuindo rapadura e registrando cada momento com suas lentes, sempre distante de qualquer postura vaidosa.
Liderança firme e talento nos bastidores da produção
Reconhecido como um dos pilares da produção audiovisual de Goiás, o produtor conduzia desde comerciais de televisão até campanhas políticas e documentários complexos com rigor absoluto. Sua palavra era a diretriz final em projetos que exigiam precisão, refletindo um profissional que não trabalhava com o erro e que mantinha o controle total da engrenagem criativa.
Além da competência técnica, era conhecido pelo humor ácido e pelas brincadeiras espirituosas com os colegas de escritório. Apelidos carinhosos e piadas criadas na hora integravam o cotidiano de quem convivia com o diretor, criando um ambiente de trabalho que unia exigência profissional e leveza no trato diário.
Episódios marcantes e o encontro inusitado no Rio de Janeiro
O rigor das gravações e o cansaço acumulado após semanas de trabalho intenso nos estúdios da Rede Globo, em 1999, deram lugar a episódios curiosos, como a noite em que o grupo frequentou um show no Leblon. Em meio a apresentações musicais e encontros fortuitos com grandes nomes da MPB, o produtor viveu situações pitorescas que viraram lendas entre os amigos.
A perda de um poema escrito por Nana Caymmi em uma comanda de bar, recusada pela rigidez contábil do estabelecimento, entrou para o repertório de causos da turma. Histórias como essa reforçam a dimensão humana de um homem devotado à arte e à convivência, cujas lembranças agora ecoam como o início de uma nova etapa na agenda daqueles que continuam a jornada.
Fonte: jornalopcao.com.br