Santiago Peña enfrenta julgamento de impeachment no Senado paraguaio
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, enfrenta nesta sexta-feira um processo de impeachment no Senado após uma grave crise financeira envolvendo o Ueno Bank. Embora tenha anunciado sua renúncia por meio das redes sociais, o chefe de Executivo continua formalmente no cargo enquanto o Congresso conduz os trâmites regimentais para avaliar sua destituição definitiva.
A abertura do julgamento político foi aprovada por unanimidade na Câmara dos Deputados, refletindo o forte desgaste político enfrentado pelo governo. Enquanto parlamentares da oposição exigem a cassação imediata para impedir que o mandatário adquira o status de senador vitalício, aliados tentam reorganizar a base governista no parlamento.
Cronograma do processo no Senado paraguaio
Conforme estabelecido pela mesa diretora do Senado, os trabalhos legislativos começam com a apresentação da defesa por parte de Santiago Peña. A sessão não possui restrição prévia de tempo para assegurar o direito de ampla defesa ao governante acusado pelas bancadas oposicionistas.
Logo após a exposição dos argumentos jurídicos, os senadores realizam a análise técnica das provas documentais e dos relatórios enviados pelos deputados. Para que a destituição do presidente seja efetivada, o regimento exige o voto favorável de uma maioria qualificada de dois terços, correspondente a trinta dos quarenta e cinco parlamentares da Casa.
Impacto da crise bancária e conexões políticas
O epicentro da crise institucional reside na intervenção decretada pelo Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, instituição que acumulava cerca de três milhões de correntistas em todo o território nacional. A queda drástica nos índices de solvência do banco gerou protestos populares e forte repercussão econômica.
Setores opositores acusam o governo de negligência regulatória, apontando supostos conflitos de interesse na gestão de fundos públicos de previdência e empréstimos concedidos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez. As investigações buscam esclarecer se houve manipulação de normativas financeiras para favorecer os negócios da instituição em detrimento da estabilidade sistêmica.
Mudanças na Esplanada e articulações ministeriais
Em meio ao avanço do processo de impeachment, o ministro do Interior, Enrique Riera, apresentou sua renúncia ao cargo executivo para reassumir sua cadeira parlamentar. A manobra visa reforçar a base governista durante as votações cruciais no Congresso Nacional.
Para ocupar a vaga deixada na pasta ministerial de forma interina, o governo nomeou Carlos Humberto Benítez González, que acumula as funções de segurança interna. Com a rejeição do pedido de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana, o cenário político permanece em aberto quanto à sucessão presidencial definitiva.
Fonte: poder360.com.br